Três dias depois de surpreender no 1º turno ao terminar à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) já recebeu o apoio de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), do PP e do União Brasil. Também deverá receber o respaldo do Republicanos.
Com a formação de uma frente de centro direita e centrão em torno de sua candidatura, começaram a avançar as conversas sobre como seria um eventual governo. Publicamente, a campanha nega que esteja distribuindo cargos ou fechando nomes. Diz que as conversas são programáticas e que nenhuma definição será feita antes do 2º turno.
“De forma programática, é assim que o Novo está vindo também [como os outros]. A gente tem que ganhar a eleição primeiro antes de discutir qualquer outro assunto“, disse Flávio ao ser questionado depois de receber apoio do partido Novo.
Nos bastidores, porém, o tema está sendo amplamente discutido, agora que o pêndulo de poder oscila no sentido de Flávio. As negociações ainda são preliminares e devem ser lidas com cautela, mas alguns nomes aparecem com mais frequência nas conversas:
- Adolfo Sachsida — Fazenda ou Planejamento;
- Adriano Pires — Minas e Energia;
- Daniella Marques — Fazenda, Planejamento, Desenvolvimento Social ou Casa Civil;
- Guilherme Derrite — Segurança Pública;
- Marcelo Kayath — Fazenda;
- Pedro Lupion — Agricultura;
- Ronaldo Caiado — Agricultura ou Segurança Pública.
Nenhum desses nomes está definido. A composição depende do resultado do 2º turno, da negociação com os partidos aliados e do próprio desenho que Flávio pretende dar ao possível governo.
Agro no Itamaraty
Uma das negociações em curso envolve a política externa. A campanha recebeu apoio da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária). E um dos recados do agro a Flávio é que quer mais influência na escolha do próximo ministro das Relações Exteriores.
A ideia discutida é que o nome para o Itamaraty passe pelo crivo do setor. Nesse arranjo, caberia à senadora Tereza Cristina (PP-MS), uma das principais referências políticas do agro, dar o aval.
Nesse cenário, ganha força o nome de Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio).
A discussão sobre os ministérios é realizado antes mesmo de Flávio começar oficialmente a montar um eventual gabinete.
O movimento é um reflexo da velocidade com que a eleição mudou de configuração depois do 1º turno: o candidato, que entrou na disputa atrás de Lula, passou a reunir partidos e lideranças que agora discutem também seu espaço em um eventual governo.
