O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta 3ª feira (6.out.2026) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não teria condições de atrair investimentos para o Brasil. Também chamou o petista de “biruta” ao criticar sua atuação na Presidência. A declaração foi dada em Brasília, depois de uma reunião com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Flávio disse que, se eleito, pretende reduzir a carga tributária sobre a folha de pagamento, diminuir impostos e burocracia e criar um ambiente que, segundo ele, favoreça a entrada de empresas no país.
“Eu quero reduzir a carga tributária em cima da folha de pagamento, ou seja, o dinheiro do trabalhador vai ficar mais com o trabalhador do que com o governo. Eu vou fazer para reduzir impostos, reduzir burocracia. Eu vou criar um ambiente de negócio favorável aqui no país para que as empresas voltem para cá com força”, afirmou.
O senador atribuiu a Lula a perda de credibilidade do Brasil entre investidores e disse que o petista muda de posição conforme as circunstâncias.
“O presidente da República hoje não tem a menor condição de atrair investimentos no Brasil, porque ninguém confia, não tem segurança jurídica. A regra muda no meio do jogo toda hora”, declarou.
“Então o Lula tá biruta e pra onde bate o vento ele vira. E o país está cansado disso”, completou.
Em outro momento, ao ser questionado sobre declarações de líderes estrangeiros a respeito da eleição brasileira, Flávio afirmou que Lula estaria “isolado” internacionalmente.
Segundo o candidato, a insegurança jurídica, a carga tributária e a corrupção dificultariam a atração de empresas estrangeiras para o Brasil. “O Brasil, para mudar, tem que começar mudando o presidente da República”, afirmou.
Flávio também disse que Lula “não tem mais nenhuma condição de comandar esse país” e afirmou esperar que o resultado das urnas no 2º turno ajude a “recolocar as instituições dentro do seu devido lugar”.
REAÇÃO DO MERCADO
A declaração se dá depois de uma forte reação do mercado financeiro ao resultado do 1º turno, em que Flávio terminou à frente de Lula.
Na 2ª feira (5.out), o Ibovespa, principal índice da B3, subiu 7,71% e fechou aos 206.920 pontos, superando pela 1ª vez a marca dos 200 mil pontos. O dólar comercial caiu 4,12%, para R$ 5,001.
Economistas ouvidos pelo Poder360 atribuíram parte do movimento à percepção dos investidores de maior possibilidade de alternância de poder e à expectativa de uma política econômica com maior disciplina fiscal. Também destacaram, porém, que o mercado deve continuar volátil até o 2º turno e reagir a pesquisas, apoios políticos e sinalizações dos candidatos sobre suas equipes e propostas econômicas.
A reação também foi registrada nos juros futuros. As taxas projetadas para os próximos 4 anos caíram cerca de 1 ponto percentual na 2ª feira (5.out). Segundo cálculo do Poder360 com base em dados do Banco Central, se esse patamar fosse mantido, a redução poderia representar uma economia de R$ 65,8 bilhões no custo da dívida pública.
A movimentação do mercado, no entanto, não significa uma avaliação consolidada sobre os programas econômicos dos candidatos. O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles disse ao Poder360 nesta 3ª feira (6.out) que as agendas econômicas apresentadas por Lula e Flávio são “muito fracas” e ainda não permitem saber com clareza o que cada um pretende fazer.
Antes do 1º turno, economistas ouvidos pelo Poder360 também apontaram lacunas nas propostas fiscais dos 2 candidatos. Lula defende a manutenção do atual arcabouço fiscal e ajustes com maior peso na arrecadação, enquanto Flávio propõe uma nova regra fiscal e cortes na máquina pública, mas seu plano não detalha quanto seria economizado.
OUTROS TEMAS
Flávio também falou sobre as articulações para ampliar os apoios à sua candidatura no 2º turno. Agradeceu o apoio de Romeu Zema (Novo), disse que iniciou conversas com o Republicanos e destacou a atuação de Tarcísio na articulação de novas alianças.
O candidato afirmou ainda que iria a Goiânia para receber o apoio de Ronaldo Caiado (PSD). Disse haver convergência com propostas apresentadas pelo goiano em áreas como segurança, saúde, inteligência artificial e mineração.
Sobre a escala 6 X 1, Flávio afirmou ter uma proposta “infinitamente melhor” do que a que está em discussão e defendeu que o trabalhador possa definir a própria jornada. Também prometeu voucher para creche privada quando não houver vaga na rede pública. O senador classificou como “oportunista” a movimentação de Lula sobre o tema durante o 2º turno.
