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Políticos tradicionais ficam sem mandato após eleição de 2026

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O 1º turno da eleição de 2026 disputado neste domingo (4.out.2026) deixou de fora do Congresso e de outros cargos nomes com décadas de atuação na política brasileira. Entre os derrotados estão Randolfe Rodrigues (PT), Ciro Gomes (PSDB), Aécio Neves (PSDB), Ciro Nogueira (PP), Marcelo Crivella (Republicanos), José Dirceu (PT), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), Gleisi Hoffmann (PT), Manuela D’Ávila (Psol), Soraya Thronicke (PSB) e João Paulo Cunha (PT).

O grupo reúne políticos que tentavam renovar o mandato e outros que buscavam voltar à vida pública depois de um período fora dos cargos eletivos.

NÃO CONSEGUIRAM SE REELEGER

Entre os políticos que tentavam permanecer no cargo está Randolfe Rodrigues, senador desde 2011. O petista buscava o 4º mandato consecutivo, mas não conseguiu uma das duas vagas em disputa no Amapá. A derrota interrompe uma trajetória de 15 anos no Senado.

No Piauí, Ciro Nogueira também não conseguiu renovar o mandato. Senador desde 2011, ele foi ministro-chefe da Casa Civil durante o governo Jair Bolsonaro e é um dos principais líderes do PP no Congresso.

Marcelo Crivella, ex-prefeito do Rio, ex-senador, ex-ministro e ex-deputado, também ficou sem mandato. No mesmo grupo estão Renan Calheiros (MDB), senador desde 1995 e ex-presidente do Senado, e Vanderlan Cardoso (PSD), senador desde 2019 e ex-prefeito de Senador Canedo.

Em Santa Catarina, a derrota de Esperidião Amin (PP) encerra, pelo menos por enquanto, uma carreira iniciada nos anos 1970 e que inclui passagens pelo governo estadual, prefeitura, Câmara e Senado.

Em Mato Grosso do Sul, Soraya Thronicke também não se reelegeu. A senadora foi eleita em 2018 apoiada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante o mandato, desvinculou-se do bolsonarismo e se tornou uma defensora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

NÃO CONSEGUIRAM VOLTAR À POLÍTICA

Aécio Neves tentou voltar ao Senado. Ex-governador de Minas Gerais, ex-presidente da Câmara e ex-senador, foi candidato à Presidência em 2014 e chegou ao 2º turno contra Dilma Rousseff. Em 2026, encerra o mandato como deputado federal e não conseguiu se reeleger à Casa Alta.

No Ceará, Ciro Gomes tentou voltar ao governo estadual. Ex-governador, ex-ministro e ex-deputado, foi candidato à Presidência 4 vezes. A derrota o deixa sem mandato eletivo.

Em São Paulo, Marina Silva e Simone Tebet tentaram retornar ao Senado. Marina foi senadora pelo Acre por 2 mandatos, ministra do Meio Ambiente e candidata à Presidência em 2010, 2014 e 2018. Tebet foi senadora por Mato Grosso do Sul, ministra do Planejamento e candidata à Presidência em 2022. As duas ficaram fora das vagas paulistas.

Também em São Paulo, José Dirceu tentou voltar à Câmara. Ex-deputado federal e ex-ministro-chefe da Casa Civil, ele retomou a disputa eleitoral em 2026, mas não conseguiu o mandato. Gleisi Hoffmann (PT), por sua vez, tentou retornar ao Senado pelo Paraná depois de ter ocupado uma cadeira na Casa de 2011 a 2019. Ficou em 4º lugar, atrás de Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo), que conquistaram as duas vagas.

Dallagnol teve o registro inicialmente indeferido pelo TSE na véspera da eleição, mas o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu a decisão no domingo e manteve a candidatura na disputa.

Roseana Sarney (MDB) também tentou voltar ao Senado pelo Maranhão. Governadora do Estado por 4 mandatos e senadora de 2003 a 2011, ficou fora das duas vagas.

Outros políticos tradicionais que tentaram voltar e não conseguiram foram Benedita da Silva (PT), Paulo Pimenta (PT) e Delúbio Soares (PT). Benedita, ex-governadora, ex-senadora, ex-ministra e deputada constituinte, disputou o Senado pelo Rio de Janeiro.

Paulo Pimenta, deputado federal desde 2003 e ex-ministro, ficou fora das duas vagas do Rio Grande do Sul. Delúbio Soares, ex-tesoureiro nacional do PT, tentou voltar ao Congresso como candidato a deputado federal por Goiás. Fundador do PT e da CUT, ele foi condenado no processo do Mensalão e na Lava Jato e estava fora de cargos eletivos.

Leia abaixo o levantamento completo do Poder360 com os nomes de políticos consagrados que não conquistaram mandatos (clique no link para acessar em uma outra aba).

POR QUE ISSO IMPORTA

Porque as derrotas deste domingo ajudam a marcar o fim de um ciclo da política brasileira. A lista acima reúne personagens que ocuparam posições de destaque ao longo da Nova República –ex-governadores, ex-ministros, ex-presidentes do Congresso, ex-candidatos à Presidência e congressistas com décadas de mandatos.

O resultado não significa, por si só, uma rejeição aos políticos tradicionais. Mas reforça uma transição geracional que já estava em curso: nomes que participaram ou ganharam projeção no ciclo político iniciado com a redemocratização deixam os cargos eletivos, enquanto outros atores ocupam esse espaço. A eleição de 2026, portanto, não troca só mandatos. É mais um capítulo do encerramento de uma geração que dominou a política brasileira nas últimas décadas.

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