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Manoel Fernandes diz que esquerda subestimou poder da internet

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Manoel Fernandes diz que esquerda subestimou poder da internet

O especialista em redes sociaisdiretor da BitesManoel Fernandes, disse neste domingo (4.out.2026) que a esquerda “subestimou o poder da internet” durante a campanha eleitoral. Segundo ele, houve uma intensificação da mobilização digital de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) nas 72 horas anteriores ao 1º turno.

A declaração foi dada ao Poder Eleições, durante a live especial do Poder360 sobre a apuração das eleições de 2026.

“Mais uma vez, a esquerda subestimou o poder da internet”, afirmou. Segundo Fernandes, setores da esquerda apostaram que a campanha poderia ser conduzida em um modelo mais tradicional, sem conseguir reproduzir nas redes a mobilização dos adversários.

“A esquerda subestimou, achava que tudo podia se resolver num modelo analógico e claramente não se resolveu”, disse.

Assista à entrevista (6min30):

Fernandes afirmou que identificou uma mudança mais intensa no ambiente digital depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidir não participar do debate da Globo.

“Nas últimas 72 horas, a partir da desistência do presidente Lula de ir para o debate da Globo, a gente viu uma corrida muito forte dos apoiadores do Flávio Bolsonaro na direção dele, de crescimento, de publicação de conteúdo”, declarou.

Na avaliação do especialista, o problema do governo não está na falta de conhecimento sobre a importância das redes sociais, mas na dificuldade de transformar essa percepção em uma estratégia eficiente.

“Eu acredito que é uma incapacidade mesmo, porque a importância todo mundo sabe. A gente tem no Brasil 150 milhões de pessoas acessando a internet. Então, você acreditar que esse contingente não influencia uma decisão, uma eleição, é muito ingênuo”, afirmou.

Assista à live Poder Eleições 2026:

PERNAMBUCO

Fernandes citou a disputa pelo governo de Pernambuco como contraponto. Segundo ele, tanto João Campos quanto a governadora Raquel Lyra fizeram uso relevante das redes sociais durante a campanha.

Para o especialista, Campos já tinha uma trajetória mais consolidada na comunicação digital e soube aproveitar esse histórico na campanha.

“Recife, Pernambuco, foi um modelo de uso de internet que nós entendemos que foi o mais interessante, porque os 2 principais concorrentes faziam bom uso disso”, declarou.

Fernandes afirmou que a internet não determina sozinha o resultado de uma eleição, mas tem papel importante na construção da percepção dos eleitores.

“O que define uma eleição, e eu costumo repetir isso à exaustão, é voto. Um candidato tem mais voto que outro. Qual o papel da internet? É construir percepções”, disse.

DESINFORMAÇÃO

Como exemplo, Fernandes mencionou uma informação falsa que circulou nas redes neste domingo depois de Lula votar.

Segundo ele, publicações passaram a afirmar que o presidente havia jogado uma bandeira do Brasil no chão. Fernandes disse que isso não ocorreu e avaliou que faltou uma reação rápida da campanha para contestar o conteúdo.

“Obviamente, não foi isso que aconteceu, mas isso apareceu. Eu não vi nenhuma reação do governo na direção de desmontar isso, um grupo de pessoas tentando desmontar esse argumento. A mídia que foi lá e mostrou que isso não tinha acontecido”, afirmou.

Na avaliação de Fernandes, episódios desse tipo ajudam a alterar a dinâmica da disputa ao influenciar a percepção construída nas redes.

EVENTUAL 2º TURNO

Fernandes também disse que a esquerda teria uma disputa difícil no ambiente digital em um eventual 2º turno entre Lula e Flávio.

Segundo ele, a votação de Flávio no 1º turno tende a deixar os apoiadores do bolsonarismo mais mobilizados para a etapa seguinte da eleição.

“Não há tempo de montar uma tropa suficiente para reverter isso”, declarou.

Ele afirmou que a base digital ligada ao bolsonarismo chegaria “muito energizada” a uma nova etapa da campanha e citou Nikolas Ferreira (PL-MG) como exemplo de político com forte capacidade de mobilização nas redes.

“Vai ser uma batalha muito difícil para o governo no campo digital”, disse.

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