A mãe de Isabella Nardoni, Ana Carolina Oliveira, e o pai de Henry Borel, Leniel Borel, foram eleitos deputados federais nas eleições gerais de 2026, realizadas no domingo (4.out.2026).
Oliveira, que ganhou o pleito para vereadora de São Paulo em 2024, foi eleita à Câmara pelo Podemos-SP com 246.741 votos. Ela foi a 2ª mais votada da sigla no Estado, atrás apenas de Delegado Palumbo, que somou 303.271 votos. Já Borel foi eleito pelo Progressistas do Rio de Janeiro com 72.658 votos, o 4º mais votado da sigla no Estado. Ele também havia sido eleito vereador pelo Rio de Janeiro em 2024.
Ambos têm em comum a mesma história: seus filhos foram assassinados. A bandeira dos 2 em suas campanhas foi a proteção contra a violência infantil.
RELEMBRE
- Caso Nardoni
Isabella Nardoni foi morta em março de 2008, aos 5 anos, em um dos assassinatos mais notórios do país. Seu pai, Alexandre Nardoni, e sua madrasta, Anna Carolina Jatobá, foram acusados de espancar e jogar a menina do 6º andar de um apartamento na zona norte de São Paulo.
Isabella caiu no gramado e chegou a ser socorrida pelos bombeiros, mas não resistiu e já chegou sem vida ao hospital. O casal afirmou que o crime era resultado de uma invasão ao apartamento, e que os criminosos teriam jogado a menina.
Em um julgamento de júri popular, em março de 2010, Alexandre foi sentenciado a 31 anos de prisão em regime fechado, e Anna Carolina a 26 anos. As penas sofreram redução ao longo dos anos. Anna Carolina está em regime aberto desde 2023 e Alexandre Nardoni, desde 2024.
- Caso Borel
Henry Borel foi morto em março de 2021 pelo ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior (expulso do Solidariedade), conhecido como Dr. Jairinho. Na época, ele era namorado de Monique Medeiros, mãe de Henry.
Segundo o inquérito, Monique e Jairinho disseram ter encontrado o menino Henry, então com 4 anos, caído no chão do quarto que dividia com a mãe, com pés e mãos gelados e olhos revirados. Ele foi levado ao Hospital Barra D’Or, na zona oeste do Rio, onde já chegou morto.
O laudo de necropsia apontou lesões compatíveis com espancamento, hemorragia interna e laceração hepática provocada por ação contundente. Monique afirmou acreditar que Henry tenha ficado em pé sobre a cama e caído no chão ao se desequilibrar ou tropeçar. Jairinho declarou ter ouvido gritos de Monique e, ao entrar no quarto, notou que o menino estava gelado e parecia respirar mal.
Em junho de 2026, o Tribunal do Júri do RJ condenou Jairinho a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão em regime inicialmente fechado por homicídio duplamente qualificado, tortura e coação de testemunhas no curso do processo. Monique recebeu perdão judicial e segue em liberdade. O Ministério Público do Rio de Janeiro ainda tenta reverter a decisão por meio de recursos judiciais.
