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Kupfer atribui rejeição a Lula ao endividamento das famílias

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Kupfer atribui rejeição a Lula ao endividamento das famílias

O economista José Paulo Kupfer afirmou neste domingo (4.out.2026) que o endividamento e a inadimplência das famílias são fatores de “imensa importância” para explicar a rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no fim de seu 3º mandato.

A declaração foi dada ao Poder Eleições, durante a live especial do Poder360 sobre a apuração do 1º turno das eleições de 2026.

“O endividamento recorde das famílias e a consequente inadimplência recorde das famílias é, na minha opinião, fator de imensa importância nessa rejeição desse último mandato do Lula”, afirmou.

Na avaliação de Kupfer, a situação financeira das famílias limitou o consumo, estratégia associada aos governos Lula para estimular a atividade econômica.

“Esse endividamento e essa inadimplência fizeram com que o consumo, que é a receita que o Lula sempre usou para bombar a economia e ganhar votos, estimular o consumo das famílias, isso não aconteceu”, disse.

Assista à entrevista (8min45):

Segundo o economista, o governo adotou uma política fiscal expansionista e tentou estimular a demanda, mas o consumo perdeu força.

Kupfer afirmou que o 3º mandato de Lula registrou crescimento econômico, geração de empregos e redução da pobreza, mas não conseguiu atender às expectativas de parte da população.

“Teve crescimento econômico razoável, mas insuficiente, teve emprego, teve redução de pobreza, teve várias coisas positivas, mas, fundamentalmente, não teve a capacidade de atender às aspirações que a população estava procurando”, declarou.

“ERA DE DESENCANTO”

Kupfer disse considerar que o Brasil vive uma “era de desencanto” desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016.

Segundo ele, o governo Michel Temer teve baixo crescimento econômico, enquanto classificou a gestão de Jair Bolsonaro (PL) como “uma catástrofe” em diferentes áreas.

Para Kupfer, o 3º mandato de Lula apresentou indicadores positivos, mas não foi suficiente para encerrar esse período de insatisfação.

“Possivelmente uma moldura da nossa situação, essa reta final dessa era de desencanto, se reflita exatamente no endividamento das famílias”, afirmou.

Assista à live Poder Eleições 2026:

BETS

Questionado sobre o peso das bets (empresas de apostas esportivas), Kupfer afirmou que elas contribuíram para a situação financeira das famílias, mas não são o fator determinante.

“As bets têm uma parte nisso. Elas consumiram sei lá quantos bilhões de dinheiro que poderia estar com as famílias, poderia estar indo para o consumo ou para a poupança delas. Foi jogado no ralo com esse negócio”, declarou.

O economista classificou as apostas como um “fenômeno de altíssima voltagem”, mas apontou os juros e o custo de vida como fatores mais relevantes.

“Não é fator determinante. O fator determinante é, de um lado, os juros muito altos, que potencializam essas dívidas e, de outro, de certa maneira, o custo de vida mais alto”, disse.

Kupfer também afirmou que uma inflação mais baixa não significa necessariamente preços baixos. Segundo ele, mesmo com uma desaceleração do ritmo de aumento, os preços podem permanecer elevados.

“Inflação é variação de preço. Não quer dizer que o preço não esteja alto”, afirmou.

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