O analista político João Henrique Hummel afirmou neste domingo (4.out.2026) que o avanço da direita na disputa pelo Senado deverá colocar o impeachment de ministros do STF Supremo Tribunal Federal entre os temas a serem enfrentados pela Casa em 2027.
Em entrevista ao Poder Eleições, durante a live especial do Poder360 sobre a apuração do 1º turno, Hummel disse que o resultado das urnas aumentará a pressão sobre os senadores para analisar pedidos contra integrantes da Corte.
“A partir de fevereiro de 2027, o Senado tem encontro marcado com o tema do impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal”, afirmou.
Na avaliação do analista, o desempenho de candidatos do PL e de outros partidos de direita representa uma reação de parte do eleitorado à atuação do Judiciário.
“Esta é uma resposta clara da sociedade ao Judiciário”, declarou.
Cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade, conforme o artigo 52 da Constituição. Nunca um pedido de impeachment contra integrante da Corte foi aprovado pela Casa.
Assista à live Poder Eleições 2026:
ALEXANDRE DE MORAES
Ao ser questionado sobre qual ministro poderia ser alvo de um eventual processo, Hummel citou Alexandre de Moraes.
“O que está mais fácil e tem que se justificar numa prontidão é o Alexandre de Moraes”, afirmou.
Hummel disse considerar que Moraes precisará responder aos questionamentos feitos contra sua atuação para reduzir a pressão política por um processo de impeachment.
Atualmente, há pedidos contra Moraes apresentados ao Senado. A existência das representações, porém, não significa que haverá abertura ou aprovação de um processo. Cabe à Presidência da Casa dar encaminhamento aos pedidos, e eventual condenação exige o voto de 2/3 dos senadores.
ALCOLUMBRE
Hummel também afirmou que o fortalecimento da direita deverá obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a negociar com os novos integrantes da Casa caso queira manter influência na próxima legislatura.
“Se o Alcolumbre quer alguma posição de relevância no Senado, ele vai ter que sentar com essa bancada nova e negociar alguma coisa e mostrar algum acordo para sobreviver e ter espaço”, disse.
Questionado sobre a possibilidade de Alcolumbre ser reeleito presidente do Senado em 2027, Hummel afirmou que isso seria possível, mas dependeria da construção de acordos.
“Eu acho que até pode, porque acordos políticos se fazem. Agora, na atual conjuntura, ele vai ter que demonstrar algum acordo sobre esta bancada que está entrando e que é significativa”, declarou.
Para Hummel, a nova composição do Senado deverá aumentar a pressão política sobre a Casa para que pedidos contra ministros do Supremo sejam analisados.


