Ciro Gomes perdeu no domingo (04.out.2026) a eleição para o governo do Ceará pelo PSDB e acumulou a 5ª derrota eleitoral da carreira. A derrota foi ampla. Além de Ciro, toda a chapa da oposição foi derrotada: os candidatos ao Senado, Capitão Wagner (União Brasil) e Pastor Alcides Fernandes (PL), perderam as vagas para Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede).
O ex-prefeito de Fortaleza, Sarto (PSDB), aliado histórico de Ciro, também não se elegeu deputado federal.
A candidatura ao governo cearense foi precedida de muita hesitação. Ao ser questionado, Ciro repetiu que não entraria na disputa. “Se tiver juízo, não vou”, disse em diversas ocasiões. “O coração manda ir, mas a cabeça manda não ir”, acrescentava.
O flerte com a oposição ao PT no Ceará começou em 2024, depois da derrota de José Sarto na disputa pela prefeitura de Fortaleza. No 2º turno daquela eleição, Ciro apoiou, ainda que de forma velada, o candidato André Fernandes (PL), derrotado por margem mínima por Evandro Leitão (PT).
A partir daí, Ciro se tornou o nome mais cogitado pela oposição para enfrentar o PT estadual; André Fernandes, com 28 anos, ainda não tinha a idade mínima de 30 anos exigida por lei para concorrer ao governo.
Convencido a disputar, Ciro voltou ao PSDB a convite do ex-senador Tarso Jereissati e montou uma coligação com o PL, apoiando Alcides Fernandes para o Senado. A campanha teve foco em segurança pública.
Pressionado a declarar voto na eleição presidencial, preferiu a neutralidade. “Não sou lulista nem bolsonarista. Nas últimas duas eleições enfrentei ambos porque discordo dos projetos”, afirmou, para escapar do apelido “Cironaro” que o governo petista havia atribuído a ele.
A eleição expôs a ruptura entre Ciro e o irmão Cid Gomes, iniciada em 2022. Os dois sempre foram os mais próximos entre os irmãos; Cid costuma dizer que sempre viu Ciro como maior inspiração e professor na política.
Neste pleito, Ciro contou com o apoio dos irmãos Ivo e Lúcio Gomes, este último coordenador da campanha. A deputada estadual Lia Gomes (PSB) apoiou o governador Elmano, mas evitou fazer campanha ativa para o petista para não se chocar diretamente com Ciro. Cid seguiu caminho oposto ao do irmão e foi eleito o senador mais votado do estado. Lia também se reelegeu para a Assembleia Legislativa.
5 derrotas em eleições
A derrota no Ceará foi a quinta de Ciro em eleições. Em 2022, depois da quarta derrota consecutiva na corrida presidencial, ele havia anunciado que não pretendia mais disputar cargos eletivos, declarando que não desistiu, mas que “foi desistido” pelo povo. Agora, a saída da política se anuncia pela 2ª vez.
Nas 4 corridas presidenciais, os resultados foram os seguintes: em 1998, pelo PPS, obteve 7.426.235 votos (10,97% dos válidos) e ficou em 3º lugar, eleição vencida por Fernando Henrique Cardoso (PSDB); em 2002, também pelo PPS, somou 10.170.882 votos (11,97% dos válidos) e terminou em 4º, com Lula (PT) vencendo; em 2018, pelo PDT, alcançou 13.344.371 votos (12,47% dos válidos) e ficou em 3º, com Jair Bolsonaro (PSL) eleito; em 2022, pelo PDT, teve 3.599.188 votos (3,04% dos válidos) e terminou novamente em 4º, eleição vencida novamente por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A trajetória política de Ciro começou em Sobral, filiado ao PDS. Em 1982, venceu sua primeira eleição para deputado estadual. Pelo PMDB, se reelegeu em 1986. Em 1988, foi eleito prefeito de Fortaleza, cargo que deixou dois anos depois para concorrer ao governo do Ceará pelo PSDB, eleição que venceu em 1990. Depois de desentendimentos com o governo Fernando Henrique Cardoso, saiu do PSDB em 1997. Já no PSB, em 2006, foi eleito deputado federal, a última eleição que venceu. Passou ainda pelo Pros e pelo PDT antes de retornar ao PSDB, em outubro de 2025, para a candidatura ao governo cearense.
