De 16 de agosto, data de início da campanha eleitoral de 2026, a 3 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de 37 eventos oficiais. Entre eles, priorizou os relacionados à infraestrutura (6), saúde (5) e educação (5).
O levantamento feito pelo Poder360, com base nos compromissos divulgados pelo E-Agendas, levou em consideração visitas, apresentações, reuniões abertas, anúncios e assinaturas de decretos, sanções e MPs (medidas provisórias).

Como o petista não pôde fazer inaugurações por causa do período do defeso eleitoral –que teve início em 4 de julho e vai até 25 de outubro–, Lula buscou outros tipos de eventos para poder viajar a outros Estados e fazer discursos.
A maioria das viagens presidenciais foi feita de forma a acomodar as agendas de campanha. Em diversas datas, o petista visitou universidades, hospitais ou obras e participou, antes ou depois dos eventos oficiais, de atos, caminhadas ou comícios.
OS TEMAS
Além de infraestrutura, saúde e educação, Lula participou de eventos relacionados à economia (4), energia (3) e defesa (3). Bets, meio ambiente e mulheres tiveram 2 registros cada.
Todos os temas presentes na agenda têm apelo eleitoreiro: Lula busca um inédito 4º mandato.
Um levantamento da Pax/Quaest, divulgado em 18 de setembro, mostra que 28% dos brasileiros acreditam que a violência é o “principal problema do Brasil”. A segurança pública apareceu uma vez na agenda de Lula nos últimos 49 dias. Para outros 19%, a economia é o maior problema. O tema foi central em 4 eventos ao longo do período da campanha.
Apesar de menos presente na agenda do presidente, as bets estão entre os assuntos de maior interesse público e eleitoreiro. Em 1º de setembro, Lula convidou artistas, representantes religiosos, ministros etc. para uma reunião sobre os impactos das apostas on-line no Brasil. Já em 25 de setembro, o petista assinou uma MP que bane os cassinos on-line e as apostas esportivas no Brasil.
Pesquisas da Secom (Secretaria de Comunicação Social) indicam o apoio da maioria da população a regras mais duras para as bets, com adesão maior entre mulheres e segmentos religiosos, especialmente evangélicos. Historicamente, o grupo religioso tende a rejeitar Lula.
Outro tema que apareceu com menor frequência na agenda de Lula, mas é considerado uma bandeira de campanha, foram as mulheres. O grupo compõe 52% do eleitorado brasileiro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, e é disputado por candidatos à Presidência.
Desde o início do ano, o presidente tem feito apelos em discursos pelo fim do feminicídio e por uma maior participação dos homens na vida doméstica. Lançou, em fevereiro, o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. Mais recententemente, na 5ª feira (1º.out.2026), Lula assinou o Parecer Vinculante JM-12 garante a manutenção da renda de mulheres afastadas do trabalho por causa da violência doméstica.
Segundo o presidente, a luta pelo fim da violência contra a mulher se tornou importante para ele após pedidos feitos pela primeira-dama Janja da Silva.
“Eu acordei domingo para tomar café e no café a Janja começou a chorar. Ontem, ela voltou a chorar. E hoje, no avião, ela pediu pra mim: ‘Ô Lula, assuma a responsabilidade de uma luta mais dura contra a violência do homem contra a mulher no planeta Terra’”, afirmou o petista em novembro de 2025.
LOCAIS
O Distrito Federal concentrou a maior parte dos compromissos presidenciais: 14 dos 37 eventos registrados pelo levantamento. São Paulo aparece em seguida, com 8 compromissos.

No período da campanha, Lula fez uma única viagem internacional. Ficou de 20 a 22 de setembro em Nova York para participar da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. O presidente passou pouco tempo fora do país para manter o ritmo dos compromissos de campanha.
A concentração no DF segue um padrão observado pelo Poder360 no levantamento dos anúncios feitos por Lula no 1º semestre. De 1º de janeiro a 30 de junho, a capital federal havia recebido 32 dos eventos analisados.

