Um vídeo divulgado neste sábado (3.out.2026) mostra o senador e candidato à reeleição Ciro Nogueira (PP-PI) em uma festa com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, na estação de esqui Courchevel, nos Alpes Franceses. Os 2 aparecem acompanhados das então namoradas, respectivamente Flávia Rosalen e Martha Graeff. O registro foi divulgado em reportagem da revista Piauí.
Em um dos vídeos, Ciro aparece beijando e cochichando no ouvido da namorada. Depois, ele percebe estar sendo filmado e aponta para a câmera. Em outro, os 2 casais dançam e apontam para a câmera.
De acordo com a revista, a viagem custou cerca de R$ 2 milhões e foi custeada por Vorcaro. A reportagem diz que o casal Ciro e Flávia passou 13 dias em Courchevel, de 12 a 25 de janeiro de 2025. Os 2 ficaram hospedados em hotel de alto padrão e tiveram contas de R$ 63.000 e R$ 58.000.
O Poder360 procurou a assessoria do senador Ciro Nogueira para perguntar se o congressista gostaria de se manifestar sobre o conteúdo da reportagem. Ainda não houve manifestação. Quando houver resposta, esta reportagem será atualizada.
CIRO E VORCARO
Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal em 7 de maio de 2026. A ação integrou a operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes relacionados ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Foi a 1ª vez que a investigação atingiu o núcleo político do caso.
Segundo a investigação, diálogos interceptados indicam repasses mensais que variavam de R$ 300 mil a R$ 500 mil.
À época, a defesa do senador Ciro Nogueira disse, em nota, repudiar “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.
Afirmou, ainda, que “medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”.
EMENDA MASTER
Na operação, a Polícia Federal também afirmou que uma emenda parlamentar apresentada pelo senador teria sido elaborada pela assessoria do banco.
O senador apresentou em 13 de agosto de 2024 a Emenda 11 à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 65 de 2025, que trata da autonomia do Banco Central do Brasil. O texto propunha elevar o limite de cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Leia a íntegra (PDF – 385 kB).
A emenda, porém, foi rejeitada pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), relator da PEC na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, em seu parecer. Ele argumentou que a proposta contraria “o modelo bem-sucedido na prática nacional e internacional” e engessa “no texto constitucional matéria regulatória de natureza essencialmente dinâmica”. Em 12 de maio de 2026, Ciro reapresentou a proposta.
O Banco Master —em conjunto com o Will Bank e Banco Pleno— foi responsável pelo rombo de R$ 51,8 bilhões no FGC, mesmo tendo só 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do sistema financeiro nacional.
