O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) passou a citar nominalmente neste sábado (3.out.2026) diplomatas em publicações nas redes sociais e afirma acompanhar a atuação de servidores do Itamaraty. O movimento ganhou força na reta final da eleição e é feito em paralelo às promessas de mudanças na estrutura do Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL).
Em vídeo publicado na 4ª feira (30.set.2026), Eduardo afirmou ter “mapeado” os embaixadores que entraram e saíram de postos durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Disse também que está “na cola” de servidores que, segundo ele, ajudaram a “sabotar” o governo de Jair Bolsonaro.
Em publicação no X, neste sábado (3.out), citou a embaixadora Vanessa Dolce de Faria, atual Alta Representante para Temas de Gênero do Ministério das Relações Exteriores.
Na postagem, Eduardo compartilhou uma foto de Dolce de Faria com uma bandeira de Lula e afirmou que, em caso de reeleição do presidente, ela seria “provavelmente” a diplomata brasileira na Colômbia. Também criticou a atuação dela na área de gênero e questionou a política externa do governo.

Dolce de Faria é diplomata de carreira e ocupa desde 2023 a função de Alta Representante para Temas de Gênero do Itamaraty, criado naquele ano pelo MRE. Ela ingressou no Instituto Rio Branco em 1999 e já ocupou postos no exterior e funções na estrutura do governo federal.
A diplomata republicou uma postagem de apoio a ela, que criticava o post de Eduardo Bolsonaro:

O primeiro nome citado diretamente foi o do diplomata Orlando Leite Ribeiro, então embaixador do Brasil em Madri. Eduardo associou Ribeiro ao episódio envolvendo Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e afirmou que o diplomata deixaria o posto em um eventual governo de Flávio.
Ribeiro deixou a Embaixada em Madri em 2025 e foi transferido para a República Tcheca. O atual embaixador brasileiro na Espanha é Luiz Alberto Figueiredo. O curioso é que, dentro do Itamaraty, Orlando é visto como um quadro mais à direita.
O caso chegou às redes de Eduardo depois de mensagens mostrarem que Ribeiro manteve contato com Luchsinger durante a organização da mudança da família para a Espanha. O Itamaraty confirmou que a Embaixada forneceu contatos de escolas em Madri, mas afirmou que esse tipo de apoio faz parte da rotina de atendimento a brasileiros no exterior.
A partir de então, Eduardo passou a ampliar o foco das críticas para outros integrantes da diplomacia.
No vídeo de 30 de setembro, ele disse que pretende fazer uma “faxina” no Itamaraty caso Flávio seja eleito e que servidores que atuaram contra o governo de Jair Bolsonaro (PL) deveriam se preocupar.
Outro diplomata que já foi alvo de integrantes do bolsonarismo é Audo Faleiro. Em 2019, no início do governo de Jair Bolsonaro, o então chanceler Ernesto Araújo o demitiu 4 dias depois de nomeá-lo para chefiar a Divisão de Europa do Ministério das Relações Exteriores. Hoje, Faleiro é assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial e um dos braços direitos do presidente Lula.
Aliados de Eduardo defendem uma reforma da estrutura diplomática inspirada em mudanças promovidas pelo governo Donald Trump (Partido Republicano) nos Estados Unidos. A proposta inclui alterações no sistema de promoções e concentração da atuação brasileira em um grupo de países considerados prioritários.
Eduardo também é citado como possível nome para ocupar uma posição de comando na política externa em um eventual governo do irmão.

