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Mídia tradicional critica STF e TSE por melarem debate da “Globo”

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

Os jornais Folha de S.Paulo e O Globo criticaram, em editoriais publicados na noite de 5ª feira (1º.out.2026), o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral pelas decisões que levaram a TV Globo a cancelar o debate presidencial que seria realizado naquela noite. As publicações falam em desrespeito à liberdade de imprensa e censura.

Em comunicado veiculado ao fim do “Jornal Nacional”, a emissora afirmou que a decisão foi tomada diante da “insegurança jurídica” causada por decisões judiciais de última hora.

Eis o que o TSE e o STF decidiram antes do debate:

  • TSE – a ministra Estela Aranha atendeu a um pedido do PT e proibiu a TV Globo de exibir o púlpito vazio do presidente (que informou na 4ª feira, 30 de setembro de 2026, que não iria ao encontro). Leia a íntegra da decisão da magistrada (PDF – 127 kB);
  • STF – o ministro Gilmar Mendes atendeu a um pedido do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) e mandou a TV Globo incluir o candidato do Missão ao Planalto, Renan Santos. Leia a íntegra da decisão do decano do Supremo (PDF – 228 kB).

O editorial publicado pelo jornal O Globo tem como título “Sem liberdade não há debate”. A publicação diz que a emissora “tomou a única decisão cabível” diante “da interferência política da Justiça e das violações à Constituição e à liberdade de imprensa”.

O jornal menciona que a ministra do TSE atendeu a um pedido do PT, que havia assinado o documento com as regras para o debate –entre elas, a que autorizada a exibição do púlpito vazio do candidato que não estivesse presente e a que permitia que fossem dirigidas perguntas aos ausentes.

“Indicada ao cargo pelo próprio Lula, a ministra Estela Aranha criou um desequilíbrio em favor do candidato petista, em detrimento dos demais postulantes ao Planalto. Depois da decisão, o candidato Flávio Bolsonaro (PL), cuja presença estava confirmada, também anunciou sua desistência”, diz o editorial.

“Regras prevendo o púlpito vazio também foram adotadas noutros debates na atual campanha e em campanhas anteriores, e não apenas pela ‘Globo’. Em todos, foram respeitadas sem queixas”, declara.

O jornal mencionou o debate realizado pela Band em agosto. “Lula e Flávio faltaram, e o espaço reservado a ambos ficou vazio diante das câmeras”, afirma.

“No primeiro turno na eleição de 2006, o mesmo Lula deixou de comparecer ao debate da Globo –e perguntas foram dirigidas ao púlpito vazio pelos candidatos adversários. Por que as mesmas regras não deveriam valer nesta eleição?”, questiona.

Ao aceitar o pedido do PT, Estela disse que as regras do debate tinham “potencial para causar situação de desequilíbrio entre os participantes”, sem que se observasse “a dinâmica dialética” de um debate.

O Globo classificou como “sem nexo” o argumento. “Para observar a ‘dinâmica dialética’, bastaria a Lula comparecer ao debate. Sua ausência em nada evitaria citações a seu nome. Quem fez mal a si mesmo foi o próprio Lula”, diz.

O jornal escreve: “O debate existe para informar o eleitor sobre ideias e propostas num ambiente jornalístico livre, não numa entrevista controlada. Todos os candidatos deveriam comparecer. Desistir de debater e entrar com o pedido de liminar junto ao TSE demonstra desrespeito não apenas com o documento firmado estabelecendo as regras, mas também com o eleitor”. 

Segundo a publicação, a atitude “mancha as até agora limpas credenciais democráticas” de Lula. “Não há condição de realizar um debate livre se a Justiça intervém horas antes numa afronta à liberdade de imprensa. A politização perniciosa que tem acometido os tribunais superiores no Brasil justifica plenamente a decisão da ‘Globo’”, declara.

FOLHA FALA EM “RASGAR A TOGA”

O editorial da Folha tem como título “Ataque de juízes prejudica neutralidade da eleição”. A publicação diz que a “intervenção de Gilmar” e a “censura” da ministra do TSE “para proteger Lula maculam a toga e enfraquecem defesas da democracia”.

O jornal afirma que “um patrimônio da democracia brasileira” está ameaçado. “As constantes e cada vez mais audaciosas intervenções impróprias e partidárias de juízes do Supremo Tribunal Federal no processo eleitoral estão corroendo a autoridade da arbitragem do processo, que deveria ser neutra, previsível e equidistante”, declara.

De acordo com a Folha, o que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “cogitou fazer pela força” está sendo feito por “algumas autoridades que atuaram no seu julgamento”. Essas autoridades, diz a publicação, são “movidas pelo desespero da autopreservação” e “rasgam a toga, atropelam os ritos e fazem o diabo para favorecer a candidatura” de Lula.

O jornal declara que Renan “ganhou o tíquete de presente” de Gilmar para participar do debate “porque prometia atazanar” Flávio Bolsonaro.

“No pretexto do juiz, de preservar a liberdade de expressão, acredita apenas quem não assistiu ao festival de censuras protagonizado pelo Supremo, com o endosso do decano, nos últimos anos”, diz o texto.

A Folha declara que “censura de fato” não faltou no “episódio abominável” que levou ao cancelamento do debate. Fala em “canetada solitária” de Estela em favor de Lula. Lembra que ela é ligada ao ministro do STF Flávio Dino. 

“Na agonia para favorecer o incumbente, agora se decide o que uma emissora pode transmitir ao público num debate. A cadeira vazia, símbolo do desprezo dos candidatos pela prestação de contas, tem uma longa tradição no Brasil. Mas a Lula, casuisticamente, não se aplica”, diz.

“Onde a marcha do arbítrio vai parar não se sabe. Intervir com tal descaramento na mediação do processo em plena disputa eleitoral seria há pouco tempo impensável, algo associado a repúblicas de bananas. Não é mais”, declara.

O jornal diz que “tudo o que os inimigos” da querem “é que o regime se enfraqueça para que seja mais fácil subvertê-lo com seus projetos tirânicos”.

E finaliza afirmando: “É irônico, mas verdadeiro, que a autodestruição seja conduzida por quem tem o dever de defender a Carta”.


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