O embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, afirmou na 5ª feira (1º.out.2026) que não foi estabelecido prazo para a entrega de um novo rascunho de acordo tarifário com o Brasil.
Na 4ª feira (30.set), Greer se reuniu com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços brasileiro, Márcio Elias Rosa, e o chanceler Mauro Vieira para um diálogo sobre as tarifas norte-americanas impostas a produtos brasileiros.
Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, Greer disse na 5ª feira (1º.out) que os EUA entregaram “muitos rascunhos de diferentes ações que poderiam ser feitas”. Acrescentou que “um novo rascunho não é exatamente algo a ser feito. É algo que já fizemos muitas vezes no passado”.
O embaixador declarou também que o fato de o Brasil estar em “período eleitoral” pode “limitar a flexibilidade dos governos”.
A fala de Greer parece confirmar a avaliação da equipe brasileira de que, provavelmente, os EUA iriam preferir tocar o assunto depois das eleições. Ao UOL, Rosa disse que entendeu que o documento poderia ser enviado em 3 ou 4 semanas, provavelmente depois do 2º turno do pleito.
Quando questionado se temas como o Pix e o desmatamento estariam fora da mesa de negociação, Greer não respondeu. “O que posso dizer é que tivemos uma reunião construtiva. Concordamos em continuar trabalhando nesta questão em todos esses diferentes tópicos que investigamos”, declarou.
REUNIÃO
A reunião entre Greer, Rosa e Vieira ocorreu durante o encontro ministerial do G20 de Comércio, realizado em Milwaukee, nos EUA.
O evento reúne ministros responsáveis pela área comercial dos países que integram o G20.
A ideia do Palácio do Planalto era avançar na lista de exceções antes de discutir a reversão total da sobretaxa combinada de 37,5%.
O governo brasileiro considera que a negociação entrou em uma nova etapa depois da entrada em vigor das tarifas.
As tratativas foram retomadas em 31 de agosto, quando Rosa e Greer conversaram por videoconferência. Na ocasião, o governo brasileiro avaliou o encontro como exploratório.
Os 2 lados apresentaram suas posições e levaram os resultados aos respectivos presidentes.
Em 15 de julho, os EUA anunciaram uma sobretaxa de 25% com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A medida foi justificada pelo governo norte-americano com alegações relacionadas a práticas comerciais brasileiras, incluindo comércio digital, Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento. A tarifa entrou em vigor em 22 de julho.
Em 23 de julho, os EUA anunciaram outra sobretaxa, dessa vez de 12,5%, que atingiu também dezenas de países. Alegaram que o Brasil falhou no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho escravo. A medida entrou em vigor em 24 de julho. O governo Lula contesta todas as alegações.
