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AGU pede investigação sobre verba dos EUA à “extrema-direita”

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)

A AGU (Advocacia Geral da União) pediu à Polícia Federal e ao MPF (Ministério Público Federal) a abertura de investigação sobre um possível financiamento do governo dos Estados Unidos a uma agenda de “extrema direita no Brasil“. A notícia-crime foi encaminhada nesta 5ª feira (1º.out.2026) pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Eis a íntegra do documento enviado à PGR (PDF – 196 KB) e do documento enviado à PF (PDF – 194 KB).

O pedido partiu da PNDD (Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia) e tem como base uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian na 4ª feira (30.set). O texto relata que o governo de Donald Trump (Partido Republicano) teria redirecionado recursos do Fundo de Direitos Humanos e Democracia, do Departamento de Estado, para iniciativas alinhadas à direita internacional.

Segundo a AGU, a reportagem indica um possível direcionamento de recursos públicos norte-americanos para redes e organizações que atuam no Brasil com o objetivo de interferir no debate político e institucional e deslegitimar o Supremo Tribunal Federal.

De acordo com o Guardian, US$ 1 milhão teria sido destinado a um programa chamado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”. O jornal afirma que o recurso fazia parte de uma transferência de mais de US$ 175 milhões do fundo para iniciativas ligadas a agendas conservadoras e de direita em diferentes países.

A AGU diz que os fatos precisam ser investigados porque a Constituição brasileira estabelece a soberania nacional, a independência e a não intervenção como princípios do Estado brasileiro.

O órgão também cita a legislação que proíbe o financiamento ou a subordinação de agremiações políticas por entidades ou governos estrangeiros.

Na notícia-crime, a AGU pede a identificação dos responsáveis e dos destinatários dos recursos no Brasil. A intenção é verificar se houve prática de crimes e eventual responsabilização individual.

ELEIÇÃO

A iniciativa da AGU ocorre uma semana depois de a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pedir ao Tribunal Superior Eleitoral esclarecimentos sobre possível uso de recursos estrangeiros para influenciar a eleição de 2026.

A petição, apresentada em 23 de setembro, citou possíveis relações de Flávio e Eduardo Bolsonaro (PL) com autoridades e organizações dos Estados Unidos. O documento também mencionou a Rockbridge Network e uma reportagem que apontava possível financiamento da candidatura de Flávio.

A campanha de Lula pediu que fossem investigadas a origem de eventuais recursos, a atuação de agentes estrangeiros e os possíveis benefícios eleitorais. Também solicitou a cassação do registro e a inelegibilidade de Flávio e Eduardo por 8 anos.

No dia seguinte, o PT pediu ao ministro Flávio Dino, do STF, a abertura de investigação sobre possível interferência estrangeira nas eleições. A legenda solicitou que fossem consideradas eventuais operações estrangeiras envolvendo plataformas digitais, instituições financeiras, publicidade, recursos, bens ou serviços.

A nova notícia-crime da AGU não afirma que os recursos mencionados pelo Guardian tenham sido efetivamente recebidos por candidatos brasileiros. O pedido busca apurar a existência de repasses.

A reportagem do Guardian também afirma que o Departamento de Estado redirecionou recursos para iniciativas em outros países, incluindo grupos relacionados à defesa de direitos de africâneres brancos na África do Sul e a pautas contra imigração e regulação na Europa.

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