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Campanha de Lula acirra busca por indecisos e PT orienta: “Sem briga”

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensifica a busca por eleitores indecisos na semana final e orienta a militância a conversar “sem briga”. A recomendação consta de um guia digital do PT e ganha peso com o empate em 42% entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno, segundo a pesquisa Quaest divulgada na 2ª feira (28.set.2026).

O documento do PT foi feito para circular pelo celular e traz mensagens prontas para WhatsApp. Tem como mote “a rua, a feira e o WhatsApp” como espaços de disputa pelo voto. O material dedica seções à religião e à proibição das bets. Eis a íntegra (PDF – 12 MB).

O método pede pouca argumentação e muita escuta. O guia orienta o apoiador a ouvir, reconhecer as dificuldades do interlocutor e só depois apresentar propostas. Diz que o “segredo de um bom militante é não dar palestra” e propõe 5 passos:

  • validar o sentimento da pessoa;
  • escutar primeiro;
  • perguntar quem tem proposta para o futuro;
  • citar pontos em comum;
  • lembrar, “sem briga“, o que está em risco.

O material divide os indecisos em 5 perfis, cada um com uma “dor” e um roteiro de argumentos:

  • jovem: fim da escala 6 X 1, Pé-de-Meia, fim das bets e teto do MEI de R$ 140 mil;
  • mãe de família: cesta básica sem imposto, escritura do Minha Casa Minha Vida no nome da mulher e Bolsa Família com Gás do Povo;
  • autônomo: aumento real do salário mínimo, Desenrola Brasil e teto maior para o MEI;
  • trabalhador CLT:  isenção do IR até R$ 5.000 e taxação dos super-ricos;
  • mulher de carreira: Lei da Igualdade Salarial e combate ao feminicídio.

Em cada perfil, o guia compara Lula com Flávio Bolsonaro (PL) e com o governo de Jair Bolsonaro. Afirma, por exemplo, que o salário mínimo ficou 4 anos sem aumento real no governo anterior. Os dados não são apresentados com fontes no documento.

BETS

A proibição das apostas é uma das 3 “bandeiras” para conversas de 2 minutos. As outras são o fim da escala 6 X 1 e a defesa da soberania nacional.

O guia trata as bets como uma “epidemia” que tirava dinheiro da mesa das famílias. Diz que os recursos agora ficam no comércio local. Atribui a Jair Bolsonaro a responsabilidade por ter deixado o problema crescer.

Como o Poder360 mostrou, a proibição é o carro-chefe da estratégia final da campanha. Sem anúncio de medidas novas, o foco é reforçar iniciativas recentes do governo.

RELIGIÃO E MULHERES

O guia traz um capítulo sobre fé. Ele orienta o militante a responder a boatos de que Lula perseguiria a religião. O argumento é que o presidente é católico e que seus governos aprovaram leis de proteção à liberdade religiosa.

O tema religioso ganhou peso na campanha nos últimos dias diante da controvérsia que envolve a imagem de Nossa Senhora Aparecida e o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.

A repercussão de uma notícia falsa associou o senador a uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O projeto citado foi apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli e arquivado pela Câmara em 2008.

Na avaliação de integrantes da equipe de Lula, a controvérsia é prejudicial ao adversário porque o candidato passou a ter de se explicar sobre uma proposta que não apresentou. A avaliação é que, ao negar, o político mantém o assunto em circulação e pode fazer com que parte do público associe seu nome à questão, mesmo sem ter defendido a medida.

O material do PT cita sobre religião:

  • a Lei da Liberdade Religiosa, do 1º mandato, que garantiu autonomia jurídica a igrejas e entidades;
  • uma norma do 2º mandato que torna inafiançável o impedimento de cultos e o ataque a templos, com pena de 2 a 5 anos de prisão.

O texto pede que o tema seja tratado com informações sobre políticas públicas, sem confronto.

O capítulo dedicado às mulheres destaca autonomia econômica, igualdade salarial e proteção contra a violência. Incentiva o voto em candidatas à Câmara e ao Senado. Também afirma que a família Bolsonaro tem histórico de falas agressivas contra mulheres.

ORIENTAÇÕES PRÁTICAS

O guia ensina a consultar o local de votação no app e-Título e mostra a ordem de votação na urna. Indica onde baixar materiais oficiais, incluindo o endereço lula.com.br/mobilizacao.

Propõe ainda o “Desafio dos 5 Votos”: compartilhar o PDF com 5 pessoas (1 jovem, 1 trabalhador, uma mãe de família, 1 colega e 1 parente) e tirar dúvidas com cada uma.

OS INDECISOS

No 1º turno, segundo a Quaest, Lula tem 39% e Flávio, 34%. Na rodada anterior, eram 37% e 33%, variação dentro da margem de erro. Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) têm 4% cada.

Ainda conforme o levantamento, os 2 líderes têm rejeição alta: 56% dos entrevistados não votariam em Flávio e 54% não votariam em Lula. O governo é aprovado por 46% e desaprovado por 49%.

Lula tem intensificado apelos a eleitores com mais de 70 anos, faixa em que pesquisas indicam vantagem sobre Flávio. O voto não é obrigatório para esse grupo. Na 5ª feira (24.set), o petista pediu, durante ato de campanha em São Gonçalo (RJ), que eleitores idosos compareçam às urnas. “Nós precisamos convencer as pessoas de 70 anos a votar”, disse.

Os eleitores que ainda podem mudar de voto têm peso decisivo nesse cenário. O Datafolha de 21 de setembro mostrou que 79% do eleitorado já tinha escolhido um candidato. A fatia é menor entre os jovens de 16 a 24 anos.

Por isso, a campanha também mira jovens que ainda não migraram para Flávio.

O levantamento PoderData de 2 de setembro de 2026 mostra Cury com 14% entre eleitores de 16 a 24 anos. Entre 25 e 44 anos, ele tem 12%. Na faixa de 45 a 59 anos, 7%. Entre os com 60 anos ou mais, 8%. Cury é, proporcionalmente, o candidato mais forte entre os jovens.

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