A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) publicou nesta 3ª feira (29.set.2026) um histórico de suas manifestações sobre política e eleições e afirmou que a Igreja Católica “não indica candidatos nem partidos”.
“A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil é a instituição permanente que reúne os bispos da Igreja Católica no País e, ao longo dos anos, tem publicado orientações e reflexões sobre a participação dos cristãos na vida pública. Em diferentes processos eleitorais, a Conferência tem chamado a atenção para temas como democracia, cidadania, bem comum, dignidade humana, participação política e responsabilidade no exercício do voto”, escreveu ao compartilhar os posicionamentos.
A publicação se dá 2 dias depois de o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmar que o PT teve ajuda de integrantes da CNBB para disseminar a informação falsa de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
A entidade negou no domingo (27.set) ter produzido, autorizado ou participado da divulgação de informações falsas relacionadas às eleições. Disse também que não integra estruturas político-partidárias, partidos ou candidaturas e que suas manifestações eleitorais decorrem de sua missão pastoral e de princípios expressos em seus documentos.
Flávio Bolsonaro jamais apresentou proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A ideia constou de um projeto apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli. Flávio, que à época era deputado estadual no Rio de Janeiro, não participou da apresentação nem da tramitação da proposta no Congresso. Na 2ª (28.set), Flávio agradeceu à CNBB pelo esclarecimento e voltou a dizer que a informação sobre a padroeira era falsa.
No carrossel publicado nesta 3ª feira (29.set), a CNBB reúne manifestações feitas de 2018 a 2026 para responder à pergunta: “A CNBB apoia algum partido nas eleições?”.
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Ao apresentar sua posição para 2026, a entidade afirma que “a Igreja Católica não indica candidatos nem partidos”, mas diz que isso não significa indiferença à política. Cita como princípios dignidade humana, bem comum, justiça social, democracia, participação cidadã, respeito às instituições e combate à corrupção e à desinformação.
O material também recupera manifestações anteriores. Em 2024, o presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, afirmou que a corrupção “destrói valores, prejudica a representatividade e compromete os caminhos da democracia”.
Em 2022, a entidade declarou que “condena o uso da religião por todo e qualquer candidato como ferramenta de sua campanha eleitoral”. Depois das eleições daquele ano, defendeu que os cidadãos continuassem a acompanhar e fiscalizar a atuação dos eleitos.
Nas eleições municipais de 2020, a CNBB afirmou que a compra e a venda de votos constituem crimes eleitorais e defendeu responsabilidade e compromisso com o bem comum.
Em 2018, os bispos afirmaram que “o bem do país está acima de ideologias e interesses particulares” e chamaram a atenção para polarização, intolerância, violência e disseminação de notícias falsas.
