O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentrará a última semana antes do 1º turno em viagens, mobilização da militância e tentativa de ampliar sua votação entre eleitores que ainda não estão com o petista. A agenda inclui passagens por 3 regiões e atos voltados principalmente ao Sudeste nos últimos dias antes da eleição de 4 de outubro.
A campanha conquistou o voto útil, em uma disputa marcada pela proximidade entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas. O objetivo é atrair eleitores de candidatos que aparecem abaixo dos dois primeiros colocados e reduzir a margem disponível para o senador avançar.
A pesquisa Datafolha divulgada em 24 de setembro mostra Lula com 40% das intenções no 1º turno, contra 36% de Flávio. Augusto Cury (Avante) aparece com 5%, Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, e Renan Santos (Missão), com 3%.
O voto útil aparece nesse cenário porque parte dos eleitores dos candidatos que estão abaixo dos 2 primeiros colocados ainda pode mudar de escolha. Na mesma rodada do Datafolha, entre eleitores que não se identificam nem com o petismo nem com o bolsonarismo, 39% escolheriam Flávio no 2º turno e 34% escolheriam Lula.
A rejeição também é elevada entre os 2 principais candidatos: pesquisa Futura/100% Cidades divulgada em 24 de setembro mostra Lula com 50,3% de rejeição e Flávio com 44,6%.
No horário eleitoral deste domingo (27.set.2026), Lula disse que o eleitor “não precisa fazer o L” nem “vestir vermelho” para acreditar no país –fala que mira quem não se identifica com o petismo. Na peça, jovens fazem perguntas a Lula sobre fim da escala 6 X 1 e custo de vida, e ele responde defendendo a isenção de IR até R$ 5.000, a taxação dos super-ricos e a cesta básica sem impostos.
Sem medida nova
A estratégia não deve ser baseada no anúncio de novas medidas na última semana. A campanha trabalha com iniciativas apresentadas recentemente pelo governo para reforçar a associação entre Lula e políticas voltadas a diferentes grupos do eleitorado.
O carro-chefe dessa estratégia será proibição de bets no Brasil.
Entre as ações também está a regra que permite usar o voto nas eleições como prova de vida para aposentados e pensionistas do Inss. A medida alcança diretamente os eleitores mais velhos.
Lula tem intensificado apelos a eleitores com mais de 70 anos, faixa em que pesquisas indicam vantagem sobre Flávio. O voto não é obrigatório para esse grupo. Na 5ª feira (24.set.2026), o petista pediu, durante ato de campanha em São Gonçalo (RJ), que eleitores idosos compareçam às urnas. “Nós precisamos convencer as pessoas de 70 anos a votar”, disse.
JOVENS INDECISOS
A campanha também mira jovens que ainda não migraram para Flávio. No Datafolha de 21 de setembro de 2026, 79% do eleitorado geral já dizia ter voto definido –índice menor entre eleitores de 16 a 24 anos.
Parte do eleitorado dos candidatos abaixo dos 2 primeiros colocados ainda pode mudar de escolha até o dia da votação. Nesse grupo, a campanha de Lula deve mirar os eleitores de Augusto Cury.
O levantamento PoderData de 2 de setembro de 2026 mostra Cury com 14% entre eleitores de 16 a 24 anos. Entre 25 e 44 anos, ele tem 12%. Na faixa de 45 a 59 anos, 7%. Entre os com 60 anos ou mais, 8%. Cury é, proporcionalmente, o candidato mais forte entre os jovens –o que o torna um alvo direto na disputa por esse segmento com Flávio.
GIRO PELO PAÍS
O Partido dos Trabalhadores programou uma mobilização nacional realizada no domingo (27.set.2026), com o mote “Bora, Lula”. Foram mais de 500 atividades nas 27 capitais e em municípios de todo o país.
A mobilização incluiu caminhadas, carreatas, panfletagens e ação nas redes sociais. A orientação foi envolver diretórios estaduais e municipais, candidaturas e movimentos sociais aliados.
Antes do 1º turno, a campanha decidiu acelerar o ritmo de deslocamentos do presidente. Lula terá agenda de candidato durante toda a semana e ficará distante do Planalto. Vai manter o presidente em média em 1 Estado por dia e incluiu a região Norte no roteiro.

Nesta 2ª feira (28.set.), o presidente estará em Belém, no Pará. Fará caminhada às 18h ao lado do ex-governador Helder Barbalho (MDB), candidato ao Senado. O palanque deve reunir a governadora Hana Ghassan (MDB) e os candidatos ao Senado Celso Sabino (PDT), Helder Barbalho (MDB) e Chicão (União Brasil).
A composição chama a atenção pela disputa pelas 2 vagas ao Senado. Lula declarou apoio a Sabino. O PT paraense também apoia Helder e Chicão.
Na 3ª feira (29.set), pela manhã, vai a Fortaleza (CE). Terá agenda ao lado de Elmano de Freitas (PT). No mesmo dia, à tarde, fará caminhada no centro de Feira de Santana (BA). Estará com o governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT).
Os 2 últimos dias antes da votação são reservados ao Sudeste, região que concentra 63,5 milhões de eleitores, segundo o TSE. É também a região de maior peso na disputa pelo eleitor indeciso e pelo voto útil.
Na 6ª feira (2.out.), a 2 dias do 1º turno, Lula vai a Minas Gerais. Às 16h, estará em Belo Horizonte (MG) para caminhada. Depois, deve ir para o Rio de Janeiro (RJ).
O último ato será em São Paulo, em 3 de outubro de 2026, um sábado.
O presidente e candidato à reeleição, votará no domingo (4.out.2026) na Escola Estadual Dr. João Firmino Correia de Araújo, em São Bernardo do Campo (SP). A cidade é considerada seu berço político em razão da trajetória como sindicalista.

