O Cimeb (Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil) divulgou nesta 2ª feira (28.set.2026) uma nota em que critica o uso de uma fake news para atingir o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. A entidade afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus apoiadores usam a informação para promover uma “guerra religiosa” entre católicos e evangélicos.
O conteúdo falso relaciona Flávio a uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil e extinguir o feriado de 12 de outubro. O candidato nega defender a medida, que foi apresentada em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli (PMDB-MT).

No comunicado, a entidade evangélica classificou a utilização da informação como uma tentativa de criar conflito entre grupos religiosos.
“O Cimeb repudia com veemência a utilização de uma fake news por Lula e seus seguidores para atingir um adversário político e, o mais grave, promover uma guerra religiosa entre católicos e evangélicos”, afirma o comunicado.
A entidade também afirmou que não há articulação de lideranças evangélicas para interferir em celebrações ou feriados de outras religiões.
“Evangélicos e católicos vivem em paz. Não existe nenhuma iniciativa por parte de líderes evangélicos, junto a nenhuma candidatura, para promover o cancelamento de feriados ou cultos de qualquer religião”, declarou.
O Poder360 procurou a assessoria da campanha de Lula por meio de e-mail para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito das afirmações do Cimeb. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Malafaia x Lula
O Cimeb foi criado pelo pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, e diz reunir mais de 10.000 pastores de diferentes denominações. Malafaia publicou um vídeo nesta 2ª feira (28.set) criticando Lula e seus aliados.
Assista ao vídeo:
GRAVÍSSIMO! O desespero de Lula e seus aliados promovendo guerra religiosa com uma fake news.
Cadê a imprensa, que não repudia com veemência esse absurdo? pic.twitter.com/mJVOpUe08E
— Silas Malafaia (@PastorMalafaia) September 28, 2026
O documento também tem as assinaturas de César Augusto, Robson Rodovalho, Estevam Hernandes, Samuel Câmara, Galdino Júnior, Jabes de Alencar, Teó Hayashi, Cláudio Duarte, Luiz Hermínio, Ezequiel Teixeira, Paulo Roberto, Marcus Gregório e Simonton Araújo.
O CASO
O caso começou depois de uma declaração da jornalista Maria Cristina Fernandes no programa “Em Pauta”, da GloboNews, na noite de 24 de setembro. A fala foi associada nas redes sociais a uma possível intenção de Flávio de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
A GloboNews corrigiu a informação durante a madrugada e pediu desculpas. A proposta citada na repercussão era o PL 2.623 de 2007, apresentado por Victório Galli e não por Flávio. O texto acabou arquivado pela Câmara em 2008. Na época, Flávio era deputado estadual na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).
O projeto alterava a Lei 6.802 de 1980, que instituiu 12 de outubro como feriado nacional em homenagem a Nossa Senhora Aparecida. A proposta pretendia substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O texto foi rejeitado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara em julho de 2008 e depois arquivado.

