O TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre) chegou a cerca de US$ 7,3 bilhões em compromissos anunciados depois que o Reino Unido formalizou um investimento de £ 400 milhões, equivalente a cerca de US$ 540 milhões. O aporte foi apresentado durante a Semana do Clima de Nova York, evento paralelo à Assembleia Geral da ONU.
Para que o TFFF comece a operar de fato, são necessários US$ 10 bilhões, o que o governo Lula espera que aconteça até 31 de dezembro deste ano. O fundo foi lançado oficialmente na COP30 com uma base robusta de intenções de investimento, puxada por países como Noruega e Alemanha.
Chegar ao patamar de US$ 10 bilhões em capital público funciona como o gatilho contratual para ativar o fundo. A meta final de longo prazo é estruturar um ecossistema de US$ 125 bilhões, sendo US$ 25 bilhões oriundos de governos e outros US$ 100 bilhões captados diretamente com o setor privado internacional.
O prazo de 31 de dezembro é uma condição imposta pela Noruega, maior doadora do fundo, com aporte de US$ 3 bilhões. Se o TFFF não atingir US$ 10 bilhões em compromissos até o fim do ano, o investimento norueguês fica comprometido.
O Brasil comprometeu US$ 1 bilhão com o TFFF. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 23 de setembro de 2025, durante a Assembleia Geral daquele ano.
Noruega, Brasil, Indonésia, Alemanha, França e Luxemburgo também já anunciaram recursos para o fundo.
O compromisso britânico foi anunciado pela ministra para a Transição Climática do Reino Unido, Katie White, ao lado do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco.
O que é o TFFF
Idealizado pelo Brasil e lançado na COP30, em Belém, o TFFF foi criado para remunerar países em desenvolvimento que preservam florestas tropicais. O modelo estabelece repasses anuais que poderão chegar a US$ 4 bilhões por hectare preservado, com base em monitoramento por satélite.
O mecanismo pretende captar recursos no mercado e direcionar os rendimentos para os países. A iniciativa conta com apoio do Banco Mundial, de organizações internacionais, da sociedade civil, de povos indígenas e de comunidades locais.
Pelas regras do fundo, no mínimo, 20% de todos os pagamentos devem ser direcionados diretamente a povos indígenas e comunidades locais.
Na 3ª feira (22.set), Capobianco participou, na sede das Nações Unidas, do diálogo sobre financiamento da adaptação. Ele pediu que bancos multilaterais de desenvolvimento e fundos climáticos ampliem as doações e os recursos concessionais.
“O financiamento público não pode ser substituído pelo investimento privado. Ele é fundamental para tornar o investimento privado possível”, declarou o ministro.
A sessão foi um dos diálogos temáticos promovidos pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, em torno da Cúpula do Clima 2026. Ministros da Indonésia, Jamaica, Senegal, África do Sul, México e Azerbaijão também participaram, além de representantes de fundos climáticos multilaterais.
No 1º anúncio da iniciativa, em setembro de 2025, Lula afirmou que o fundo representa uma mudança estrutural na forma de enfrentar a crise climática: “O TFFF não é caridade. É um investimento de valor, na humanidade e no planeta contra o caos climático”.
