George Marques da Silva e Silva, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência da República, repostou ao menos 10 mensagens com fake news que atribuíam ao senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Os atos se deram na 6ª feira (25.set.2026).
A conduta motivou a campanha do candidato à Presidência da República a protocolar, no MPE (Ministério Público Eleitoral) em Brasília, uma notícia-crime pedindo a decretação de prisão preventiva do funcionário do Planalto. Leia a íntegra (PDF – 710 kB).
O boato em números, segundo o documento de Flávio:
- 2.086 publicações identificadas;
- 1.674 contas envolvidas na disseminação;
- Mais de 21 milhões de visualizações;
- Redes afetadas: X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube.
A defesa de Flávio anexou ao processo uma ata notarial digital que registra 4 republicações feitas pelo coordenador no mesmo dia, incluindo mensagens sobre perseguição à Igreja Católica. O Poder360 identificou 10 postagens que propagavam a desinformação. Veja abaixo:

O QUE DIZ A NOTÍCIA-CRIME
A defesa de Flávio imputa 3 crimes a George Marques:
- divulgação de fatos sabidamente inverídicos na eleição (art. 323 do Código Eleitoral);
- incitação ao crime (art. 286 do Código Penal);
- associação criminosa (art. 288 do Código Penal).
Se condenado pelos 3 crimes, as penas podem ser somadas. O crime de associação criminosa contempla reclusão de 1 a 3 anos. Os outros 2 têm penas de detenção inferiores a 1 ano, além de alternativas de multa.
ORIGEM DA DESINFORMAÇÃO
A narrativa circulou nas redes sociais e foi veiculada no programa “GloboNews Em Pauta”, segundo a notícia-crime. A história resgatava o Projeto de Lei nº 2.623 de 2007, de autoria do ex-deputado Professor Victório Galli (PMDB-MT). Galli foi assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de fevereiro a junho de 2019.
A proposta pretendia restringir a referência à padroeira aos católicos apostólicos romanos. Foi rejeitada e arquivada pela Câmara dos Deputados em agosto de 2008 —anos antes de Flávio ingressar no Congresso Nacional.
A emissora corrigiu a informação e pediu desculpas na madrugada desta 6ª feira (25.set).
TSE E MENDONÇA
O ministro André Mendonça, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), classificou a narrativa como “notoriamente inverídica” e determinou a remoção imediata do conteúdo das plataformas digitais. Marques, então, passou a republicar críticas ao ministro da Suprema Corte.

VERSÃO DE MARQUES E NOTA DA SECOM
Questionado pelo Poder360, George Marques disse manter um perfil pessoal voltado a “política e humor”. Segundo ele:
- não se recorda de ter republicado o conteúdo;
- caso tenha ocorrido, foi um “erro involuntário” ao compartilhar postagens em sequência;
- republicar um conteúdo não significa concordar com seu teor.
Já a Secom informou, em nota oficial, que a manifestação não espelha o posicionamento institucional, por ter sido feita em um perfil pessoal. A Secretaria, porém, classificou como “inadequado” o uso de contas pessoais por integrantes, de forma que cause confusão com manifestações institucionais.
Eis a íntegra da nota da Secom do Palácio do Planalto:
“A manifestação citada foi feita em perfil pessoal e não representa a posição da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
“A Secom considera inadequado o uso de perfis pessoais de seus integrantes de forma que possa gerar confusão com manifestações institucionais. A Secretaria reafirma que sua comunicação oficial observa a legislação eleitoral e as decisões da Justiça”
VERSÃO DE FLÁVIO
Em vídeo divulgado em seu perfil no X, Flávio Bolsonaro negou qualquer proposta contra a padroeira, disse respeitar todas as manifestações religiosas e afirmou que a história foi criada pelo PT como tática de campanha.
A notícia-crime segue para análise do MPE, em Brasília.
Sobre o pedido de prisão feito por Flávio, eis o que diz a Secom do Planalto:
“As alegações formuladas pelo candidato Flávio Bolsonaro não procedem. Causa especial estranheza e indignação o pedido injusto e arbitrário de prisão de um cidadão brasileiro.
“É importante esclarecer que, ao atribuir ao Governo Federal a responsabilidade por uma republicação realizada pelo senhor George Marques, o candidato distorce os fatos e ignora deliberadamente que a manifestação ocorreu em caráter estritamente pessoal, por meio de por meio de perfil particular, fora do horário de expediente e com a utilização de equipamento próprio.
“O Governo Federal reitera seu compromisso com a liberdade de expressão e de religião de todos os brasileiros e manifesta repúdio e profunda preocupação com o patrulhamento e a censura impostos à população nesse episódio, a pedido do candidato Flávio Bolsonaro.”
QUEM É GEORGE MARQUES
George Marques da Silva e Silva é jornalista e analista político. Atua na Secom da Presidência da República, onde ocupa desde setembro de 2025 o cargo de coordenador geral de Estratégia e Informação. Começou a trabalhar no Planalto em janeiro de 2023, quando Lula iniciou o 3º mandato.

Ao longo de sua passagem pela administração pública federal, assumiu posições estratégicas na gestão da comunicação governamental.
Marques tem um perfil ativo no X. Faz críticas a opositores do presidente Lula, como Flávio Bolsonaro, e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano).
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