O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta 5ª feira (24.set.2026), que quer desenvolver inteligência artificial em língua portuguesa e reduzir a dependência do Brasil de tecnologias dos Estados Unidos e da China.
A declaração foi dada durante comício na Praça Marechal Deodoro, em Maceió (AL), a 10 dias do 1º turno das eleições. Ao falar sobre educação e formação profissional, Lula afirmou que o país precisa preparar jovens para áreas como indústria digital, transição energética, minerais críticos e inteligência artificial.
“A gente vai formar a nossa meninada nessa chamada nova indústria digital. A gente vai formar a nossa meninada nessa nova transição energética. A gente vai formar a nossa meninada nessa questão de terras raras e minérios críticos, porque eu quero inteligência artificial em língua portuguesa e não em inglesa ou chinesa”, declarou.
Antes, Lula disse que o Brasil não deveria ficar “devendo favores a chinês, nem americano”. Segundo o petista, a formação de mão de obra nacional deve permitir ao país ampliar sua autonomia em setores tecnológicos.
PLANO BRASILEIRO DE IA
A declaração está relacionada a uma das diretrizes do PBIA (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial). O programa estabelece o desenvolvimento de modelos avançados de linguagem em português, treinados com dados nacionais e voltados à diversidade cultural, social e linguística brasileira.
O plano também propõe investimentos em infraestrutura computacional, capacitação profissional, pesquisa e desenvolvimento. O governo federal informa investimentos de cerca de R$ 23 bilhões no PBIA até 2028.
Em agosto, Lula anunciou a implantação de um supercomputador voltado ao desenvolvimento e treinamento de modelos avançados de IA. O equipamento integra o PBIA e deverá atender órgãos públicos, universidades, instituições de pesquisa e empresas do ecossistema brasileiro de inovação.
O governo também trabalha na chamada Nuvem Brasileira, infraestrutura nacional de armazenamento e processamento de dados. A iniciativa foi anunciada em 20 de agosto e envolve Serpro, MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos), BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial).
EDUCAÇÃO
No comício, Lula relacionou o desenvolvimento tecnológico à ampliação do acesso à educação. Disse que pretende formar jovens para empregos de maior qualificação e voltou a citar programas como Prouni, Fies e Pé-de-Meia.
“Eu quero provar que a meninada brasileira não deve nada a ninguém”, afirmou ao defender investimentos na formação de profissionais brasileiros.
ATO EM MACEIÓ
O comício reuniu aliados de Lula em Alagoas, entre eles o candidato ao governo Renan Filho, o governador Paulo Dantas e o senador Renan Calheiros, todos do MDB.
Antes de Lula, a primeira-dama Janja Lula da Silva discursou e pediu votos ao presidente. Ela também fez críticas a Flávio Bolsonaro (PL) e citou as investigações sobre o Banco Master.
Lula encerrou sua fala pedindo votos para candidatos aliados que disputam vagas na Câmara, nas assembleias legislativas e no Senado. O presidente afirmou que precisa eleger congressistas de seu campo político para formar uma base de apoio em um eventual novo mandato.
