O vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ), enviou na 4ª feira (23.set.2026) uma petição ao Supremo Tribunal Federal em que pede a abertura de inquérito para investigar suspeitas de um esquema de lavagem de dinheiro. A ação mira o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal no caso do INSS.
Segundo a petição, Willer controlou por meio de “laranjas” a empresa RioPag S.A., contratada com exclusividade para intermediar pagamentos de apostas esportivas (bets) da Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro). O objetivo do esquema seria funcionar como um circuito financeiro e logístico para beneficiar economicamente Flávio Bolsonaro de forma oculta. Eis a íntegra do documento (PDF – 268 kB).
O texto afirma que a estrutura permitia ao senador usufruir de bens de luxo, como mansões e ilhas em Angra dos Reis (RJ), voos em jatos executivos e imóveis. A ação diz que a RioPag reteve indevidamente mais de R$ 20,9 milhões em recursos públicos, dinheiro que sumiu das contas bancárias durante um bloqueio judicial.
As condutas podem configurar, em tese, lavagem de dinheiro, peculato, fraude a licitações e violação das regras constitucionais sobre o mandato parlamentar.
Entenda o caso
O deputado solicita a apuração sobre “os verdadeiros donos e controladores da RioPag S.A.” e de outras 12 empresas registradas formalmente.
O objetivo é checar se Willer atuou como gestor real do grupo e se usou a estrutura societária e um fundo de investimentos fechado para ocultar os reais sócios.
A petição quer mapear o destino dos mais de R$ 20,9 milhões de recursos arrecadados com apostas que foram retidos pela RioPag e não foram localizados nas contas bancárias da empresa após determinação de bloqueio pela Justiça do Rio.
Em relação a Flávio Bolsonaro, o pedido quer saber se o senador participou da estrutura ou se atuou como beneficiário econômico oculto, direto ou indireto, dos lucros obtidos com o monopólio das apostas.
Pede também a identificação de quem custeou o uso frequente de bens mantidos pelas empresas do grupo —como mansões em Angra dos Reis, apartamento em São Paulo e jatos executivos.
Eis os pedidos apresentados na petição enviada ao STF:
- inquérito: instauração de Inquérito Policial sob supervisão do STF;
- sigilos: quebra dos sigilos bancário e fiscal das empresas RioPag S.A. e Capital Pretium S.A.;
- CVM: identificação formal do beneficiário final e dos cotistas do fundo de investimento junto à Comissão de Valores Mobiliários;
- voos: requisição de planos de voo e manifestos de passageiros à Anac e ao Decea referente ao uso de jatos pelo senador;
- depoimentos: oitiva pela Polícia Federal dos envolvidos (Lídia Mazelli, Hazenclever Cançado, Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro) no prazo de 60 dias;
- provas: envio de cópias das provas ao MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) e ao TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro).
O Poder360 procurou a assessoria de Flávio Bolsonaro e de Willer Tomaz por meio de mensagem no WhatsApp para perguntar se gostariam de se manifestar a respeito da petição. Também contatou a RioPag S.A. via e-mail. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada.
