⚡ Últimas

Conselho do MPF rejeita abrir investigação contra Gonet

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Conselho do MPF rejeita abrir investigação contra Gonet

O Conselho Superior do Ministério Público Federal arquivou nesta 6ª feira (25.set.2026) por 5 a 4 o pedido para investigar criminalmente a conduta do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso Master. O colegiado avaliou procedimento interno aberto depois de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco, citarem o PGR.

Na mesma sessão, os conselheiros rejeitaram por unanimidade o afastamento de Gonet das investigações do caso Master. 

A sessão foi presidida pelo vice-presidente do conselho, o subprocurador Nicolao Dino, irmão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Gonet não compareceu por ser o alvo do procedimento interno analisado.

Veja como votaram cada conselheiro:

  • Francisco Sanseverino (relator) – rejeitar o impedimento de Gonet e arquivar o pedido de investigação;
  • Janice Agostinho Barreto Ascari – rejeitar o impedimento de Gonet e abrir investigação preliminar;
  • Celso de Albuquerque Silva – acompanhou o relator;
  • Samantha Chantal Dobrowolski – rejeitar o impedimento de Gonet e abrir investigação preliminar;
  • Alexandre Camanho – acompanhou o relator;
  • José Adonis – rejeitar o impedimento de Gonet e abrir investigação preliminar;
  • Ana Borges Santos – rejeitar o impedimento de Gonet e abrir investigação preliminar;
  • Hindenburgo Chateaubriand – acompanhou o relator;
  • Nicolau Dino – acompanhou o relator.

O colegiado, que teve 9 dos 10 integrantes com direito a voto na sessão desta 6ª feira, analisou o pedido do partido Novo para que Gonet fosse afastado da condução do caso Master. O PGR foi citado em relatório da PF divulgado em 1º de setembro.

RELATOR

O relator do caso, o subprocurador-geral Francis Sanseverino, defendeu o arquivamento do pedido para investigar Gonet. Segundo ele, a informação da PF, requisitada pelo ministro André Mendonça, não apresentou indícios suficientes contra o PGR.

“Não houve nenhum contato direto, nem indireto dele, solicitação direta ou indireta de vantagem, de viagem ou o que seja. Então, o que se pode colocar, de forma bem objetiva, é que se trata de conversas entre terceiros, investigado e Daniel Vocário, e o senhor Ciro Soares, sem qualquer participação direta ou indireta do procurador-geral da República”, disse.

No início do voto, ressaltou que não caberia ao Conselho Superior do MPF indicar eventual impedimento ou suspeição do relator, uma vez que as atribuições do colegiado são restritas. Sanseverino destacou também que possível crime de responsabilidade do procurador-geral da República deve ser avaliado pelo Senado. 

Para ele, a análise do caso fica limitada a avaliar se há ou não indicativo de crime comum. O relator do procedimento destacou que, das mais de 200 páginas do relatório da PF, há mensagens de terceiros citando Gonet, sem uma comprovação de possível relacionamento com Vorcaro. 

O conselheiro ainda pontuou que a posição da PGR, em março de 2026, que pede maior prazo para analisar o pedido de prisão do fundador do Master, não representa o beneficiamento de Vorcaro. 

Segundo ele, houve um excesso de documentação em um prazo curto de tempo, de 72 horas, o que exigiria maior tempo para validar a 3ª fase da operação Compliance Zero.

DIVERGÊNCIA

A divergência foi aberta pela conselheira Janice Agostinho Barreto Ascari. Em seu voto, a subprocuradora entendeu que não é competência do Conselho declarar o impedimento do procurador-geral, mas avaliou que as informações da PF precisam ser esclarecidas em um procedimento próprio.

Com base na Lei Orgânica do Ministério Público da União, ela argumentou que seria o caso de indicar um integrante do Colégio de subprocuradores-gerais para que seja relator da apuração. 

Samantha Dobrowolski acompanhou a divergência ressaltando que, em sua avaliação, Gonet não poderia ter pedido a nulidade do relatório da PF. Em seu voto, ela afirma que o procurador-geral tem um benefício direto com a anulação das provas.

MENSAGENS E FOTO

Mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro mostram menções a Gonet.

Nas conversas, o ex-advogado de Vorcaro, Ciro Soares, se exibia para o cliente como um interlocutor com o procurador-geral e repassava mensagens do PGR. 

Em 15 de março do ano passado, Ciro Soares mandou mensagem para Vorcaro em que aparece em uma foto com Gonet. “Liga aqui. Ele quer falar com você”. Em seguida, Vorcaro liga para o telefone do advogado.

Troca de mensagens entre Soares e Vorcaro

A PF também extraiu do celular de Vorcaro uma foto em que o ex-banqueiro aparece sentado com Gonet, durante um evento em Londres, no Reino Unido. Na imagem, eles estão acompanhados de outros 2 homens e aparecem diversos copos tipicamente usados para tomar whisky nas mesas. O PGR fuma um charuto.

Segundo a PF, a imagem foi enviada a Vorcaro pelo ex-advogado do Banco Master, Ciro Soares, em 19 de junho de 2025. Foi acompanhada da mensagem: “PG me mandou” –as iniciais remetem ao nome de Paulo Gonet. 

A Procuradoria Geral da República confirmou a autenticidade da foto ao Globo e à Folha de S.Paulo. Segundo apuração do Globo, Gonet diz que a foto foi tirada em abril de 2024. 

Durante a sessão do Supremo de 15 de setembro, o procurador-geral da República disse que não manteve relação de proximidade com Vorcaro e que os elementos analisados não indicam prática de irregularidade de sua parte. 

Segundo Gonet, ele se encontrou uma única vez com o ex-banqueiro, em abril de 2024, em uma ocasião que reuniu outras autoridades. “O único encontro que eu tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024”.

Conselho do MPF rejeita abrir investigação contra Gonet — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado