O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, na 4ª feira (23.set.2026), que pretende acabar com as bets no Brasil e que os clubes de futebol precisarão buscar outras formas de financiamento, sem “lavagem de dinheiro”. A afirmação foi feita durante ato de campanha com artistas na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro.
“Sinceramente, em nome da boa política, em nome da sociedade brasileira, a gente vai acabar com isso. E os times que aprendam a viver sem lavagem de dinheiro. Vai ser assim. Isso vai ser bom para a juventude”, disse Lula.
“Vi uma notícia muito triste. Os clubes se reuniram e fizeram um documento para me entregar dizendo que, se acabar com as bets, eu vou acabar com o futebol”, afirmou o presidente.
Para contestar a dependência financeira dos times em relação às casas de apostas, Lula citou conquistas históricas do futebol brasileiro, incluindo títulos mundiais de clubes e da seleção brasileira.
“Eu lembrei que o Santos do tempo de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe ganhou dois títulos mundiais e não tinha bet. O Flamengo em 81, o Corinthians, o Internacional, o São Paulo 3 vezes campeão. Em 58, 62, 70, 94 e 2002 fomos campeões do mundo sem bet. E o esporte era muito melhor do que agora”, declarou.
O petista afirmou ainda que as empresas se financiam às custas de famílias de baixa renda e cobrou a migração dos clubes para o modelo de SAF (Sociedade Anônima do Futebol).
“A bet não oferece nenhum entretenimento para ninguém e fica financiando os clubes com dinheiro do pobre. É o pobre que joga, é o pobre que fica doente, é o pobre que se mata. Se tiver algum dirigente me ouvindo agora, pelo amor de Deus, reflita”.
E completou: “Nós aprovamos a lei para virar empresa, aprovamos a SAF. Os times que aprendam a virar time de empresários. Essa não é uma guerra, é uma decisão: nós vamos acabar com a bet”.
O presidente quer endurecer as regras para os jogos de azar on-line antes do 1º turno, em 4 de outubro. A avaliação no governo é de que o tema tem apelo popular e poderia associar Lula a uma medida com impacto direto no orçamento das famílias.
Na 4ª feira (23.set), pela manhã, o presidente se reuniu com ministros no Palácio da Alvorada para discutir medidas de restrição às apostas. Lula não bateu o martelo sobre qual medida será adotada, mas a tendência é restringir os cassinos on-line —como o jogo do tigrinho— e manter as apostas esportivas.
O encontro no Palácio da Alvorada durou quase 3 horas. Participaram Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento), Miriam Belchior (Casa Civil), Wellington César (Justiça) e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central.
SLOGAN
A campanha do presidente divulgou o slogan “Flávio é bet, Lula é o caminho” para associar o adversário Flávio Bolsonaro (PL) ao setor de apostas on-line. A peça foi exibida durante ato com artistas na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro.
A associação de Flávio às bets explora o histórico do senador sobre o tema.
Em 2020, o senador participou de uma missão oficial em Miami e Las Vegas, voltada a reuniões com empresas dos setores de turismo, entretenimento e cassinos. O registro oficial do Senado informa que a viagem foi realizada de 19 a 26 de janeiro daquele ano.
Em 2023, Flávio participou da votação no Senado que aprovou a regulamentação das apostas esportivas de quota fixa. A votação do texto-base foi simbólica, sem registro individual dos votos.
O candidato voltou ao tema nesta 4ª feira (23.set), em transmissão ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). Flávio afirmou ser contra os cassinos on-line, mas defendeu a manutenção das apostas esportivas. Disse que, em modalidades como futebol, vôlei e tênis, é possível haver controle por tecnologia.
O plano de governo de Flávio trata das bets de forma genérica e critica o uso de recursos de programas sociais em apostas.
GOVERNO X BETS
O governo vem adotando restrições às empresas de apostas on-line. Em abril, o partido do presidente apresentou projeto para proibir as bets em todo o país na Câmara dos Deputados. Três meses depois, determinou que a publicidade do setor apresentasse advertências sobre riscos financeiros e dependência.
A combinação das iniciativas faz parte da estratégia do governo para apresentar medidas com efeito no cotidiano dos eleitores antes da eleição. O Poder360 já havia mostrado que o endurecimento das regras das bets era pensado junto de outras ações, como o Novo Desenrola e o fim da taxa das blusinhas.
A agenda também tem dimensão eleitoral. Pesquisas da Secom (Secretaria de Comunicação Social) indicam apoio da maioria da população a regras mais duras para as bets, com adesão maior entre mulheres e segmentos religiosos, especialmente evangélicos.
As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas em 2025, segundo dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda e do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento. No mesmo período, as plataformas movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix.
O valor de R$ 62,5 bilhões corresponde à diferença entre os recursos transferidos pelos apostadores e o montante devolvido pelas empresas em prêmios.
O problema do endividamento é mais amplo. Em agosto, 82% das famílias brasileiras disseram ter algum tipo de dívida, segundo levantamento da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). O percentual ficou no mesmo nível de julho, quando atingiu o maior patamar da série histórica.
Na mesma esteira, o governo também estuda um novo programa para renegociar dívidas antigas dos brasileiros. A proposta se soma ao Novo Desenrola entre as medidas que podem ter impacto direto sobre o orçamento das famílias.
Em entrevista ao Extra em 17 de setembro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a proposta será apresentada a Lula em breve. Segundo ele, a iniciativa visa limpar o nome de pessoas com dívidas antigas e permitir que voltem a ter acesso a crédito. Durigan afirmou que o programa está sendo levado ao presidente para ser apresentado durante a campanha.
ATO NO RIO
Pelo menos 35 artistas participaram na 4ª feira (23.set.2026) de um ato de campanha de Lula na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. O encontro reuniu nomes da música, do cinema, do teatro e da televisão a 11 dias do 1º turno das eleições.
Entre os presentes estavam Chico Buarque, Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola, Daniela Mercury, Lenine, Fernanda Abreu, Zélia Duncan, Chico César, Tati Quebra Barraco, Marieta Severo, Malu Mader, Humberto Carrão e Caio Blat. O número de participantes pode ser maior. O Poder360 identificou ao menos 35 personalidades presentes no ato.
Batizado de “Cultura com Lula”, o evento teve como foco as propostas do petista para o setor cultural em um eventual 4º mandato. Lula defendeu transformar políticas para a área em políticas de Estado.
Assista ao ato (3h21min):
Entre os artistas identificados pelo Poder360 no ato estavam:
- Antonio Grassi;
- Antonio Pitanga;
- Bete Mendes;
- Betty Gofman;
- Caio Blat;
- Chico Buarque;
- Chico César;
- Cissa Guimarães;
- Daniela Mercury;
- Fernanda Abreu;
- George Sauma;
- Geraldo Azevedo;
- Guilherme Fontes;
- Humberto Carrão;
- João Velho;
- Julia Lemmertz;
- Juliana Alves;
- Klebber Toledo;
- Lenine;
- Leona Cavalli;
- Maeve Jinkings;
- Malu Mader;
- Marieta Severo;
- Mestre Ciça;
- Nando Cunha;
- Paulinho da Viola;
- Paulinho Moska;
- Russo Passapusso;
- Tati Quebra Barraco;
- Tony Bellotto;
- Victor DiCastro;
- Xamã;
- Zeca Pagodinho;
- Zélia Duncan;
- Diogo Nogueira.
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