O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas, nesta 4ª feira (23.set.2026), ao candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro. O petista disse que o adversário “não sabe o que é o cheiro do trabalho”. Também fez críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“A minha 4ª candidatura é para a gente poder não permitir que jamais esse país volte ao passado tenebroso de 23 anos de regime militar ou os 4 anos mentirosos da família Bolsonaro nesse país. Temos que admitir que eles são muito espertos. O Bolsonaro nunca trabalhou na vida. Nunca trabalhou. Foi servir às Forças Armadas e tentou estourar o quartel. Virou vereador, ficou 29 anos na política dizendo que era contra a política, que ele era contra o sistema”, declarou.
Lula também fez menção à disputa eleitoral no passado entre Carlos Bolsonaro (PL) e a mãe, Rogeria Bolsonaro, nas eleições para a Câmara do Rio: “Você acha que o Bolsonaro acredita em alguma coisa? Um cara que mandou o filho disputar com a mãe? Um cara orientou o filho para disputar com a mãe e que vence o melhor? [sic] Você acha que é normal esse cidadão falar em nome de Deus?”.
Eis o que disse ao se referir a Flávio:
“O filho dele que é candidato a presidente, foi vereador com 21 anos. Significa que ele nunca trabalhou na vida. Nunca trabalhou na vida. Foi vereador, deputado estadual, deputado federal e senador da República. Não sabe o que é o cheiro do trabalho. E fala que é contra a política, é antissistema”.
Flávio, entretanto, nunca foi vereador nem deputado federal. Dois dos filhos de Bolsonaro exerceram essas funções: Carlos Bolsonaro foi vereador do Rio, de 2001 a 2025, enquanto Eduardo Bolsonaro foi deputado federal, de 2015 a 2025, mas foi cassado.
Lula falou sobre o tema em ato com artistas na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. Também fez uma menção à própria candidatura: “Então, companheiros e companheiras, eu possivelmente não seja o melhor candidato, mas sou o único que vocês têm”.
O petista fez uma referência ao vídeo apresentado pelo humorista Fábio Porchat sobre as relações entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, a Igreja Batista da Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão, e políticos. Disse que “merece Oscar”.
Sem citar nominalmente, referiu-se a Valadão. “Aquela tal daquela igreja de Lagoinha, aquele pastor, olha aquela dele, tem uma cara de 171. E os caras pregando em nome de Deus, Benedita da Silva. Isso não é possível. Lavador de dinheiro, bandido contumaz”, disse.
E completou ao falar sobre esquerda e direita: “A esquerda, Chico, é muito decente. A esquerda é muito passiva. A esquerda tudo é um ritual, nada pode ser agressivo, nada pode ser além do normal. A direita, não”.
SOBRE O ATO
O ato no Rio contou com a presença de nomes conhecidos da cultura brasileira. Entre os quais:
- Chico Buarque;
- Geraldo Azevedo;
- Paulinho da Viola;
- Zeca Pagodinho;
- Malu Mader;
- Marieta Severo;
- Nando Cunha;
- Daniela Mercury;
- Lenine;
- Leona Cavalli;
- Chico César;
- Tony Bellotto;
- Betty Gofman;
- Guilherme Fontes;
- Cissa Guimarães;
- João Velho;
- Fernanda Abreu;
- George Sauma;
- Victor DiCastro;
- Bette Mendes;
- Antonio Grassi;
- Caio Blat;
- Julia Lemmertz;
- Mestre Ciça;
- Paulinho Moska;
- Zélia Duncan;
- Tati Quebra Barraco;
- Humberto Carrão;
- Juliana Alves;
- Russo Passapusso;
- Maeve Jinkings;
- Klebber Toledo;
- Xamã;
- Antonio Pitanga.
Havia a expectativa de que Caetano Veloso e Maria Bethânia comparecessem, mas os 2 não foram ao evento.
Em 13 de setembro, Caetano Veloso declarou voto em Lula. O artista baiano fez o gesto “L” com os dedos e disse “bora, Lula” durante show do Sesc, no Taguaparque, em Taguatinga, no Distrito Federal.
Em 2022, Caetano também havia anunciado apoio à eleição de Lula. Agora, em 2026, ele se junta à sua irmã, Maria Bethânia, que declarou voto no petista. A manifestação da cantora foi feita em 12 de setembro, durante apresentação no Coala Festival, no Memorial da América Latina, em São Paulo.
O ato contou com aliados de Lula na política fluminense, a exemplo da deputada Benedita da Silva, candidata do PT ao Senado no Rio de Janeiro, e do prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD). A primeira-dama Janja Lula da Silva e a ministra da Cultura, Margareth Menezes, também estiveram na iniciativa.
