O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 3ª feira (22.set.2026), em discurso na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. A declaração foi aplaudida pelos presentes. Leia a íntegra (PDF – 180 kB).
Lula fez a afirmação ao falar sobre a América Latina e o Caribe. Disse que a proximidade geográfica com os Estados Unidos, “a maior potência militar do mundo”, é inevitável, sobretudo diante do que chamou de “recrudescimento de tentações hegemônicas”.
O presidente defendeu que os países da região mantenham uma agenda de desenvolvimento e afirmou que diferenças ideológicas não devem impedir uma maior integração entre os vizinhos.
Segundo Lula, a democracia voltou a estar “em xeque” na região. Ele citou o que chamou de “ingerência externa em processos eleitorais” e criticou a divisão do mundo em zonas de influência.
“O povo venezuelano merece definir o seu próprio destino”, declarou.
Lula também mencionou a Nicarágua. Disse que o país não resolverá seus problemas ao impedir a oposição de disputar eleições.
O presidente afirmou ainda que “investidas neocoloniais por recursos estratégicos” são “gestos anacrônicos”. Na sequência, citou a crise no Haiti e o embargo econômico imposto a Cuba.
ONU
No início do discurso, Lula afirmou que este é “o momento mais crítico” das Nações Unidas desde que ocupou pela primeira vez a tribuna, em 2003.
O presidente disse sentir “indignação” diante da atuação da ONU e afirmou que a organização está falhando na missão de “livrar a humanidade do flagelo da guerra”.
Segundo Lula, a credibilidade da ONU “nunca esteve tão baixa”. Ele criticou o Conselho de Segurança e disse que os países que integram o órgão precisam atuar com “responsabilidade e sentido de urgência”.
“A guerra não é a continuação da política por outros meios. É a falência total da política”, afirmou.
Lula também criticou a atuação de Israel na Faixa de Gaza. Disse que o governo de Benjamin Netanyahu praticou “genocídio” contra mulheres e crianças palestinas e afirmou que filhos israelenses “pagaram o preço” do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas.
Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, afirmou que não haverá vencedores no campo de batalha e defendeu a diplomacia como “única opção”.
Crime organizado
Na parte final do discurso, Lula afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar organizações criminosas.
O presidente disse que a população está cansada da violência e afirmou que o governo não vai “terceirizar” a responsabilidade de proteger as fronteiras e garantir à população o direito de viver sem medo.
Lula rejeitou a presença de porta-aviões para vigiar as águas brasileiras e defendeu cooperação internacional para combater o fluxo de armas e dinheiro destinado ao crime organizado.
Segundo o presidente, a proposta foi entregue pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos. Ele disse que o objetivo é combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior.
Lula também citou a criação, em Manaus (AM), do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, que reúne autoridades de segurança pública dos 9 países amazônicos.
Assista à fala de Lula:


