Uma imagem do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em safári na África do Sul, tirada em março de 2025, mostra o senador ao lado de Weverton Rocha (PDT-MA) e do advogado Willer Tomaz, ambos investigados por fraudes no INSS, veio a público nesta 6ª feira (19.set.2026). A foto foi divulgada pelo jornal O Globo.
A Polícia Federal acessou esse material depois de apreender o celular de Tomaz em agosto, no contexto da operação Sem Desconto. O esquema roubou bilhões de reais de aposentadorias e se tornou público em abril de 2025, semanas depois da viagem.
Segundo a , a foto foi enviada em 10 de março de 2025 em um grupo de WhatsApp chamado “África do Sul”, que reunia Flávio, Willer, Weverton e suas respectivas mulheres. O grupo também trocou dezenas de imagens de elefantes e outros animais da savana, registrados durante o safári.
De acordo com a reportagem de Patrik Camporez, d’O Globo, a relação entre Flávio e Willer, revelada pelo jornal, acumula ao menos 5 viagens internacionais no 1º semestre de 2025, além do compartilhamento de imóveis, jatinhos e parcerias em processos judiciais, e entrou formalmente na mira da PF.
Flávio se referiu ao advogado como “meu amigo” durante a CPI da Covid, em 2021. À época, Willer disse que nunca negou a amizade com Flávio nem com outros senadores da oposição ou da base governista.
Viagens
A PF identificou as viagens depois de vasculhar o celular e a caixa de e-mails de Willer, onde encontrou fotografias, reservas e registros de voos e aluguel de veículos. Os conteúdos foram apreendidos durante buscas no escritório do advogado no mês passado, em Brasília.
Na África do Sul, além de Willer e Weverton, Flávio estava acompanhado de familiares. Na foto localizada pelos investigadores, o trio aparece com crianças em uma área de savana.
Na imagem também aparece um 4º homem, identificado pela revista como o empresário Carlos Alberto de Sá, conhecido como Carlinhos. Ele foi citado no relatório final da CPI da Covid, aprovado em 2021, que recomendou seu indiciamento pelos crimes de corrupção ativa e improbidade administrativa. Ele era então sócio da empresa VTCLog.
As camisetas que todos usam trazem animais africanos e a inscrição “Big Five”, expressão do turismo de safári para designar o elefante, o leão, o leopardo, o rinoceronte e o búfalo.
Cerca de um mês depois da África do Sul, em abril de 2025, Flávio e Willer embarcaram juntos com destino a Portugal e voltaram poucos dias depois no mesmo voo, conforme registros migratórios identificados pela PF. Segundo a reportagem, Weverton não estava presente nessa viagem.
Em maio de 2025, a dupla partiu novamente para a Europa, desta vez acompanhada das famílias. O roteiro incluiu passagens por Portugal e França. E-mails analisados pela PF mostram que, dias antes do embarque, uma representante da agência de viagens que organizou a ida à Europa informou a uma funcionária do escritório de Willer sobre a contratação de 2 veículos: um para traslado em Lisboa e outro em Nice, no sul da França.
Antes, em janeiro de 2025, na véspera da posse de Donald Trump (Partido Republicano) nos Estados Unidos, Flávio, a mulher e as filhas embarcaram em Fort Lauderdale, na Flórida, ao lado de Willer e familiares do advogado.
O grupo viajou em um jatinho particular da Prime You, empresa de aviação executiva que teve entre seus sócios Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Vorcaro permaneceu como sócio direto da companhia até setembro de 2025. Segundo a reportagem, Willer afirmou que contratou os serviços da empresa como cliente e que desconhecia a participação do banqueiro na sociedade.
Antes disso, Flávio e Willer passaram juntos parte do fim de semana anterior à posse de Trump no Hard Rock Hotel & Casino, na região de Miami. Em maio, eles voltaram à Flórida em um jatinho emprestado por um empresário para quem Willer advogava.
Ainda de acordo com O Globo, a viagem aconteceu no feriado do Dia do Trabalho e contou com a presença de Fernanda Bolsonaro, mulher do senador.
Investigações
Segundo a PF, uma estrutura ligada ao advogado funcionava como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” para beneficiar o senador Weverton, um dos vice-líderes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado.
Willer é mostrado como articulador que oferecia suporte por meio de empresas, imóveis, aeronaves, pilotos e operadores financeiros. Um dos principais pontos da apuração é a compra de uma casa no Lago Sul, em Brasília, por R$ 6 milhões.
Segundo a PF, Weverton Rocha participou das tratativas e mora no imóvel, registrado em nome da WT Administração de Imóveis e Bens S/A, empresa vinculada a Willer Tomaz. A corporação afirma haver dissociação entre a titularidade formal e o domínio econômico do bem.
O OUTRO LADO
Em resposta ao Poder360 sobre o caso, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirma que a amizade entre as famílias é legítima e continua: “Qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”.
O Poder entrou em contato com Weverton Rocha para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito das viagens. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Não foi encontrado um telefone ou e-mail válido para informar sobre o conteúdo desta reportagem à equipe de Willer Tomaz. Este jornal digital seguirá tentando fazer contato e este texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
