O ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo) associou, neste domingo (20.set.2026), a suspensão de sua campanha ao Senado pelo Paraná à amizade entre o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e o ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Floriano de Azevedo Marques.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Dallagnol criticou a decisão de Floriano e afirmou que a medida ocorreu na mesma semana em que apresentou a candidatos um pedido de impeachment contra Moraes.
“Floriano de Azevedo Marques é amigo de Alexandre de Moraes desde os tempos da faculdade. […] Sua indicação foi, inclusive, anunciada publicamente pelo próprio Moraes antes do anúncio oficial feito por Lula, que era o responsável pela escolha. E foi justamente o Floriano quem, em decisão individual, em processo sigiloso e sem direito à defesa, determinou a suspensão da minha campanha. Essa decisão contra mim aconteceu coincidentemente na mesma semana em que apresentei para candidatos do Brasil todo um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes”, afirmou.
Assista ao vídeo de Deltan Dallagnol (6min):
AMIGOS HÁ 40 ANOS
Durante o Congresso Nacional de Direito Público e Controle Externo, realizado pelo Tribunal de Contas do Município de São Paulo, Floriano de Azevedo Marques afirmou ser amigo de Alexandre de Moraes há 40 anos. O evento teve como destaque uma palestra do ministro do Supremo e uma homenagem em reconhecimento à sua trajetória e contribuição ao Estado Democrático de Direito.
Assista ao momento (3min8s):
CAMPANHA SUSPENSA
O ministro do TSE, Floriano de Azevedo Marques, suspendeu, no sábado (19.set), a campanha de Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado pelo Paraná. A decisão atende a uma ação movida pela Coligação Paraná Para Todos e pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PC do B. A decisão ainda será submetida ao plenário. Eis a íntegra do documento (PDF – 396 kB).
A medida vale até o julgamento definitivo do recurso eleitoral apresentado pelos partidos contra decisão do TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná) que, em 9 de setembro, havia liberado o registro de candidatura do ex-deputado federal por 4 votos a 3.
Pela decisão, Deltan Dallagnol fica proibido de:
- receber ou usar recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha eventualmente já repassados;
- veicular propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão;
- praticar outros atos de campanha, incluindo participação em debates.
Dallagnol contestou a liminar, sustentando que o bloqueio viola o artigo 16-A da Lei das Eleições. Ele comparou a situação à de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2018, quando o atual presidente teve autorização para realizar atos eleitorais até a deliberação final. O ex-deputado classificou a medida como um ataque à soberania do eleitorado paranaense e confirmou que vai recorrer.
CASO GAROTINHO
Semanas antes, o mesmo ministro havia concedido liminar favorável a Anthony Garotinho, garantindo a continuidade de sua campanha e o acesso a recursos públicos, mesmo com o registro barrado pelo TRE-RJ. Na ocasião, Floriano argumentou que havia controvérsia relevante e que restringir a candidatura antecipadamente causaria danos irreversíveis ao político.



