O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, confirmou nesta 6ª feira (18.set.2026) que se reuniu com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e com advogados da instituição em 11 de abril de 2024. Segundo o magistrado, o encontro foi para discutir uma causa do setor sucroalcooleiro que tramitava na Corte sob relatoria do ministro Edson Fachin.
Em nota, o gabinete de Gilmar disse que “o recebimento de advogados em audiência é prerrogativa assegurada” pela Constituição. Afirmou que, no caso discutido na reunião, votou de forma contrária aos interesses do Master. O julgamento foi na 2ª Turma do Supremo, em 3 de junho de 2025.
Segundo o ministro, ele manteve o mesmo voto em todos os demais casos do setor sucroalcooleiro. “Em nenhum desses processos o ministro votou em sentido favorável aos interesses” do Master, disse a nota.
Uma reportagem da Folha de S.Paulo afirma que Vorcaro mantinha um contrato de R$ 500 mil mensais com o empresário Chiquinho Feitosa, então cunhado de Gilmar. O ministro declarou que “não teve conhecimento de qualquer tratativa” e que “não responde por relações privadas ou profissionais de ex-parente”.
Leia a íntegra da nota:
“Chiquinho Feitosa é ex-cunhado do ministro. O ministro não teve conhecimento de qualquer tratativa entre ele e Daniel Vorcaro, não foi por ele procurado sobre os assuntos mencionados e não responde por relações privadas ou profissionais de ex-parente.
“A audiência ocorreu em 11 de abril de 2024, às 18h, no gabinete do ministro, no Supremo Tribunal Federal, e contou com a presença dos advogados do Banco Master. Foi realizada na sede do Tribunal, em ambiente institucional, e não em espaço privado. O recebimento de advogados em audiência é prerrogativa assegurada pelo art. 7º, VIII, da Lei 8.906/1994. Na ocasião, tratou-se de causa do setor sucroalcooleiro –ARE 1327995, de relatoria do ministro Edson Fachin, em que figura como recorrida a Destilaria Alcídia S/A.
“Nesse processo, julgado pela 2ª Turma em 3 de junho de 2025, o ministro Gilmar Mendes votou contra os interesses do Banco Master. O voto foi contra o pagamento do precatório, no sentido defendido pela União. Ficou vencido, acompanhado pelo ministro André Mendonça. Prevaleceu a posição dos ministros Edson Fachin, Nunes Marques e Dias Toffoli, favorável à empresa.
“O voto foi o mesmo em todos os demais casos do setor sucroalcooleiro julgados na 2ª Turma. No ARE 1312127 (Raízen), relatado pelo ministro, ele votou contra o pagamento do precatório, e a União saiu vitoriosa em 16 de setembro de 2024, vencidos os ministros Edson Fachin e Nunes Marques. No ARE 1392660 (Jalles Machado), votou duas vezes contra o pagamento à usina –em 6 de agosto de 2024 e em 19 de agosto de 2025–, ficando vencido nas duas ocasiões, acompanhado pelo ministro André Mendonça. No ARE 1500251 (Raízen), pediu destaque em 15 de agosto de 2025 e interrompeu julgamento que se encaminhava em favor da usina. Na STP 976-ED, votou em todas as sessões contra a liberação do precatório de mais de R$ 5 bilhões.
“Em nenhum desses processos o ministro votou em sentido favorável aos interesses apontados pela reportagem –inclusive após a audiência mencionada.”
