O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta 3ª feira (15.set.2026) que agiu “estritamente” de acordo com precedentes da Corte ao determinar que a Polícia Federal prestasse informações sobre mensagens encontradas nas investigações do caso Master.
A declaração se deu na sessão do STF destinada a decidir sobre o relatório da PF que indica uma relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Foi uma resposta a Moraes, que havia afirmado que Mendonça determinou diligências de ofício, sem pedido da PF ou da Procuradoria Geral da República.
Mendonça disse que a medida não foi motivada inicialmente por informações relacionadas a Moraes, mas por mensagens de Daniel Vorcaro que, segundo a PF, poderiam fazer referências ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
“Eu fiz referência ao artigo 5º, inciso 1, não por conta de ministro do Tribunal. Eu fiz referência porque nós tínhamos uma situação onde a competência para se avaliar a conduta de ministro do Supremo e de procurador-geral da República também são do plenário do Tribunal”, declarou.
Nas mensagens, havia a orientação para “reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer sacanagem”. Mendonça disse que a PF levantou a possibilidade de as referências serem a Andrei Rodrigues e a Paulo Gonet.
O ministro afirmou que decidiu pedir mais informações para esclarecer o contexto e identificar os interlocutores. “Poderia ser um nada, mas poderia vir algo robusto”, declarou.
“ESTRITAMENTE ISSO”
Mendonça também rebateu a afirmação de que teria atuado como investigador. Citou dispositivos do CPP (Código de Processo Penal) sobre o juiz das garantias para sustentar que magistrados podem requisitar documentos e informações à autoridade policial. “Foi estritamente isso que eu pedi. Estritamente isso”, afirmou.
Segundo Mendonça, a ausência de um procedimento específico para situações como a analisada pelo STF levou-o a recorrer ao precedente da própria Corte sobre o juiz das garantias. “Qual era a única segurança que eu tinha? Seguir o precedente do Supremo quanto ao juiz das garantias”, disse.
Ele voltou a afirmar que a providência não foi adotada por causa de Moraes, mas pela possibilidade de haver informação relacionada ao procurador-geral da República. Mendonça disse ainda que não comunicou previamente o procurador-geral para preservar a “compartimentação das informações”.
O Conselho do MPF julgará menção a Gonet por Vorcaro em 25 de setembro.
ARQUIVO SOBRE MORAES
Mendonça também respondeu à afirmação de Moraes de que ele já tinha, desde maio, acesso a um arquivo com informações sobre o colega. Segundo Mendonça, o arquivo que determinou buscas era “ilegal” e ele não tinha conhecimento sobre a veracidade de seu conteúdo.
“Não tinha nenhum conhecimento sobre veracidade, o que tinha ali realmente, tanto que determinei a busca e apreensão do material”, afirmou o ministro.
