O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou a sanção da PNMCE (Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos), nesta 4ª feira (16.set.2026), para reforçar o discurso de soberania nacional e criticar o que chamou de “traidores da pátria”. Sem citar nomes durante a cerimônia no Palácio do Planalto, Lula afirmou que brasileiros “caíram de joelhos diante dos Estados Unidos” e estariam dispostos a entregar minerais críticos e terras-raras em estado bruto a outros países.
A referência se conecta ao discurso que o presidente vem usando contra a família Bolsonaro durante o conflito comercial com os Estados Unidos. Lula já chamou Flávio Bolsonaro (PL) de “traidor” e afirmou que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) buscaram intervenção norte-americana em decisões brasileiras.
Também há embate de Lula com Ronaldo Caiado (PSD) sobre minerais críticos. Em março, o então governador de Goiás assinou um memorando com os Estados Unidos para cooperação em minerais críticos e terras-raras. O Planalto criticou o acordo por envolver recursos estratégicos da União.
DEFESA DA SOBERANIA
A defesa da soberania não é nova na comunicação política de Lula. O governo passou a usar o conceito como eixo de comunicação durante o conflito tarifário com os Estados Unidos, em 2025, e o tema voltou a ocupar espaço central na campanha de 2026.
Em 1º de setembro, o programa eleitoral do presidente chamou de “traidores da pátria” os que, segundo o candidato, estariam dispostos a entregar as reservas brasileiras de terras-raras a outros países. A propaganda defendeu o refino e a industrialização dos recursos no Brasil.
No caso dos minerais, Lula associa soberania ao controle sobre o destino das reservas brasileiras. Disse na cerimônia desta 4ª feira (16.set.) que o Brasil não repetirá a trajetória de exportar suas riquezas naturais sem agregar valor e depois importar produtos industrializados. “Não permitiremos que a história se repita”, afirmou.
O presidente também declarou que “não fomos e não seremos nunca mais colônia de quem quer que seja” e disse que “nossa soberania não está à venda”.
Lula afirmou que a riqueza mineral deve financiar o desenvolvimento do próprio país. Citou a necessidade de ampliar a capacidade de pesquisa das universidades, criar cursos e formar profissionais para transformar minerais críticos e terras-raras em produtos de maior valor agregado.
OUTROS PAÍSES
A estratégia também estabelece uma distinção em relação à dependência externa. Lula disse que o Brasil não precisa “ficar devendo nada” aos Estados Unidos, à China ou a qualquer outro país e defendeu parcerias internacionais sem abrir mão do processamento dos recursos em território nacional.
Os Estados Unidos e outros países buscam ampliar o acesso a fornecedores fora da China, enquanto o governo brasileiro tenta atrair investimentos sem transformar o país em exportador de matéria-prima.
Em julho, os Estados Unidos chegaram a pedir ao Brasil medidas para limitar determinados investimentos estrangeiros em minerais críticos durante as negociações para evitar o tarifaço. O governo Lula rejeitou a proposta.
O tema também ganhou espaço na campanha presidencial. O Poder360 mostrou em agosto que os cinco candidatos analisados –Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado– defendem algum nível de processamento de minerais críticos e terras-raras no Brasil.
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