O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 3ª feira (15.set.2026) que o Poder Judiciário precisa “virar exemplo” e não contribuir para a desconfiança da sociedade. Em entrevista ao Jornal da Record, defendeu uma investigação sobre as suspeitas relacionadas ao Banco Master e disse que todos os envolvidos devem ser apurados “sem distinção”.
“Não há como o povo brasileiro ficar, sabe, vendo a Suprema Corte perder credibilidade na sociedade. A instância máxima da justiça brasileira precisa ser exemplo. (…) O Poder Judiciário precisa virar exemplo e não contribuir pra desconfiança da sociedade”, declarou.
A entrevista foi exibida ao vivo no Jornal da Record, a partir das 19h45, e conduzida pelos jornalistas Mariana Godoy e Eduardo Ribeiro. A sabatina faz parte da rodada de entrevistas da emissora com candidatos à Presidência.
Lula também defendeu uma reforma profunda do Judiciário. Disse que é necessário discutir o tempo de mandato dos ministros do STF, os critérios de escolha e a seleção de magistrados de outras instâncias.
O presidente afirmou que o STF já tem as informações necessárias para investigar o caso. Disse que o ministro Edson Fachin, relator dos procedimentos, tem “a faca e o queijo na mão” para abrir os dados e identificar os envolvidos.
“É preciso investigar todos, todos, sem distinção”, afirmou.
O presidente também defendeu a abertura de sigilos telefônicos para ampliar a apuração. Disse que informações mantidas sob sigilo pelo ministro André Mendonça deveriam ser disponibilizadas para que a sociedade saiba quem participou do caso.
Lula questionou ainda a ausência dos ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques na votação. “Por que que o Toffoli não votou? Por que que o Kassio não votou?”, disse. Toffoli se declarou suspeito e Nunes Marques, impedido, e os 2 não participaram da votação sobre a possível investigação de Moraes.
Na tarde desta 3ª feira (15.set), o julgamento foi suspenso depois de Flávio Dino pedir vista. O placar estava em 4 a 3 pela tramitação separada dos procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça.
O presidente disse ainda que pretende fazer uma nova reforma do Judiciário. “Nós temos que mudar o critério de escolha das pessoas, o mandato das pessoas, mas tem que também mudar o critério das escolhas de outros juízes, de outras instâncias.”
