A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) disse nesta 3ª feira (15.set.2026) que não acredita que um possível processo de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes saia ainda neste ano.
Segundo ela, o rito –que determina prazo para defesa e testemunhas de acusação e de defesa– não caberia nos 2 meses que restam de ano legislativo, novembro e dezembro. Além das eleições, o Legislativo ainda deve votar a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2027.
A expectativa da senadora é que o processo avance a partir de 2 de fevereiro de 2027, quando toma posse a nova legislatura do Senado e há a expectativa de a oposição de conseguir maioria da Casa. Segundo ela, a eleição da nova Mesa deve ser seguida pela abertura de processos de impeachment.
Damares disse que a oposição já articula um nome alternativo ao de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e citou a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como possibilidade, mas disse que a decisão ainda será discutida internamente.
A declaração se deu após o STF salvar Moraes ao postergar por mais 90 dias a possível abertura de um processo contra o ministro. Questionada, Damares disse que Moraes não vai renunciar ao cargo porque “acha que é intocável” e “um deus“.
“Eu não quero só o impedimento dele. Eu acho que ele cometeu crimes graves e ele tem que ser preso”, disse.
REFORMA DO JUDICIÁRIO
Damares defendeu um pacote de mudanças no Judiciário, unindo propostas já apresentadas no Congresso. Entre os pontos citados por ela estão:
- a criação de um conselho de ética entre os próprios ministros do STF, nos moldes do que já existe no CNJ para juízes e desembargadores, para apurar condutas que não configurem crime de responsabilidade, mas que mereçam punição;
- a revisão do número de decisões monocráticas e do tempo de permanência dos ministros na Corte;
- a mudança na forma de indicação dos ministros, com propostas para que Senado e Câmara também indiquem nomes, hoje escolhidos pelo Executivo;
- a vedação para que cônjuges e filhos advogados dos ministros atuem dentro do próprio STF, além do fim de práticas como palestras remuneradas e eventos que a senadora classificou como “festinha”.
