A repercussão internacional da crise no Supremo Tribunal Federal custa mais ao Brasil do que o rombo no sistema financeiro nacional causado pelo caso do Banco Master, disse nesta 4ª feira (16.set.2026) o ministro substituto Luís Carlos Gambogi, do Superior Tribunal de Justiça. Segundo ele, o cenário de disputas internas na Corte passa aos investidores internacionais uma imagem negativa do Brasil e afasta aportes que poderiam ser feitos no país.
“O prejuízo que o Brasil sofre com esses episódios danosos de mau funcionamento das nossas instituições custa um preço absurdo. Um preço, talvez, muito maior do que esse problema do Banco Master. É uma soma extraordinária, mas, comparada à perda de recursos que poderiam vir com investimento, é muito maior que esse episódio que deriva do Master”, disse o ministro durante participação no Congresso Internacional de Direito Minerário, promovido pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração).
Gambogi é desembargador do TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) e atua no STJ desde março, depois de ter sido convocado para substituir o ministro Marco Buzzi, afastado após caso de importunação sexual.
Durante o seminário, defendeu que episódios como a sessão de 3ª feira (15.set), em que houve troca de ofensas entre ministros do Supremo, criam uma impressão de insegurança jurídica no Brasil ao serem exibidos na imprensa internacional.
“Se uma pessoa que está em vias de estudar um processo de mineração do potássio, por exemplo, que é um mineral de que o Brasil precisa muito por causa da nossa agricultura, ela diz: ‘Nesse país em que a Suprema Corte está brigando entre si, que segurança eu vou ter? Faço o meu investimento e de repente a legislação muda e eu vou perdendo o meu capital’”, declarou.
Questionado sobre propostas de reformas para o Judiciário, Gambogi disse que é necessário fortalecer o Senado e eleger bons representantes para a Casa, responsável pela sabatina e aprovação dos ministros indicados aos tribunais superiores.
O ministro citou o exemplo dos EUA, onde, segundo ele, os indicados passam por investigações da CIA e sabatinas rigorosas.
“É preciso fortalecer o Senado, que foi criado para que fosse provido por homens de larga experiência pública. Em princípio, governadores de Estado, pessoas que têm um notório saber jurídico, notório saber do campo de engenharia, essas seriam as pessoas que seriam votadas para o Senado. Infelizmente, nós temos essa deformação também. Algumas vezes conseguimos eleger pelo menos governadores. Mas no mais, é o radialista, é o candidato mais popular que vai para o Senado. Daí a razão de começar tudo errado”, declarou.
