O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta 3ª feira (15.set.2026) que o Supremo Tribunal Federal tem “frutas podres” e defendeu que ministros da Corte sejam investigados, caso necessário.
A declaração foi dada durante ato em Brasília no dia em que o plenário do Supremo analisa a possível abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por sua relação com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
“Pela 1ª vez nós vamos ter um inquérito aberto contra um ministro do Supremo. Espero que seja apenas o primeiro, porque nós sabemos que temos mais frutas podres. E eu espero que um queira investigar o outro. Estou vendo aí que a podridão está aflorando”, afirmou Zema.
O ex-governador também citou nominalmente Dias Toffoli e Gilmar Mendes ao defender que integrantes da Corte sejam investigados.
“Quem não deve, não teme. Que a investigação vá contra Alexandre de Moraes, se for necessário contra Dias Toffoli, se for necessário contra Gilmar Mendes e qualquer outro ministro. Precisamos do Brasil acima de todos”, disse.
Zema afirmou ainda que o Supremo está “em boa parte, totalmente apodrecido” e acusou a Corte de ter perdido credibilidade. Também pediu aos ministros que não votem por “corporativismo” na sessão desta 3ª feira.
“Aqueles que são do bem, votem para o futuro do Brasil e não pelo corporativismo que tem prevalecido até esse momento”, afirmou.
O ex-governador também defendeu a possibilidade de impeachment de integrantes do Supremo.
“Já tivemos impeachment de deputados, de prefeitos, de presidente e que venhamos a ter impeachment de ministro. O que deve prevalecer é a lei e a Constituição”, afirmou.
Assista ao julgamento:
CASO VORCARO-MORAES
Em um ineditismo na história do Supremo, os ministros iniciaram na manhã desta 3ª (15.set.2026) o julgamento sobre o relatório da Polícia Federal que indica uma relação de um integrante da Corte, o ministro Alexandre de Moraes, com Daniel Vorcaro, investigado como líder da maior fraude ao Sistema Financeiro Nacional.
O caso teve início em 1º de setembro, quando o relator das investigações, ministro André Mendonça, tornou público um relatório que identifica uma interlocução entre Vorcaro e Moraes. O documento afirma que Vorcaro pediu uma interferência do magistrado nas investigações antes de sua prisão, em 17 de novembro de 2025.
O relatório indicou contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes.
Antes que fosse autorizado o andamento das investigações, o ministro André Mendonça remeteu o caso ao plenário do STF. Agora, os ministros analisam se a PF poderá ou não prosseguir com as apurações.
Em manifestação em 1º de setembro, a Procuradoria Geral da República afirmou que o procedimento da PF foi inválido por duas razões:
- Mendonça teria determinado diligências contra pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da PF;
- uma investigação contra um ministro do Supremo dependeria de autorização do plenário da Corte e deveria ser encaminhada à Presidência do Tribunal.
CASO MENDONÇA
Por sua atuação no inquérito, Mendonça é alvo de pedido do ministro Alexandre de Moraes para investigá-lo por abuso de autoridades e improbidade administrativa. O procedimento foi instaurado inicialmente no inquérito das fake news, mas o presidente do Tribunal, ministro Edson Fachin, avocou a relatoria do caso.
O contra-ataque processual de Moraes se baseia em um relatório de inteligência da PF contra Mendonça. O documento interno e sem valor probatório indica que o ministro teria direcionado as investigações do Master contra Moraes.
A validade do documento culminou em uma guerra de liminares para afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Por decisão de Fachin, Rodrigues se mantém na chefia da corporação até que haja uma análise mais aprofundada sobre o tema.
O presidente do STF também marcou o julgamento separado do caso para 23 de setembro.



