A equipe de comunicação do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), discutiu nesta 2ª feira (14.set.2026) como reagir ao julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre o caso Moraes-Vorcaro, marcado para esta 3ª feira (15.set. 2026). A coordenação avaliou a possibilidade de Lula gravar um vídeo depois da sessão. Tudo dependerá do resultado.
O julgamento é inédito. Na sessão, os ministros vão julgar um relatório da Polícia Federal, produzido por ordem do ministro André Mendonça, que identificou mensagens entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes. O STF também analisará questões preliminares, como pedidos de suspeição.
A agenda de Lula para esta 3ª feira (15.set.) terá uma reunião às 16h, no Palácio da Alvorada, com o ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social), Sidônio Palmeira, e o secretário de Imprensa, Laércio Portela.
A eventual manifestação de Lula seria uma resposta política à decisão do STF.
A estratégia da campanha, conforme mostrou o Poder360, é tentar afastar Lula de Moraes. Parte da equipe, porém, considera que o presidente não pode romper com o ministro e perder um aliado no Supremo. A ideia é que Lula defenda a apuração do caso sem assumir a defesa de Moraes ou ser associado às decisões e condutas do ministro que estão sob análise.
Aliados tentam deslocar o foco para os vínculos de Vorcaro com outros personagens da política e do Judiciário. Um dos alvos é o ministro André Mendonça, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O PT passou a demonstrar desconfiança em relação à condução do caso e questionar os efeitos de suas decisões sobre a investigação.
Também falam das relações de Vorcaro com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que agradeceu ao empresário, em novembro de 2025, pelo financiamento do filme “Dark Horse”. A PF investiga a atuação de Flávio na captação dos recursos para a produção e apura possíveis crimes, como lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A associação política entre Lula e Moraes se fortaleceu após o 8 de Janeiro, quando o governo e o STF atuaram em defesa das instituições depois dos ataques às sedes dos Três Poderes. Moraes foi relator da ação penal que levou à condenação de Jair Bolsonaro, em 2025, por tentativa de golpe de Estado.
A proximidade entre os 2 se mantém. Em 4 de agosto, Moraes mediou, em sua casa, uma reunião entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O encontro ajudou a reaproximar Lula e Alcolumbre, que estavam sem se falar desde a derrota de Jorge Messias na disputa por uma vaga no STF.
Quando a crise no STF estourou, Lula gravou um vídeo, em 3 de setembro. Na peça, defendeu a investigação sobre o Banco Master sem citar Moraes e afirmou que o caso deveria ser apurado “doa a quem doer”. Desde aquela data, o presidente elevou o tom. Em 9 de setembro, alfinetando Mendonça, pediu a quebra completa dos sigilos das investigações sobre o banco e disse que o Brasil precisava conhecer a verdade.
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