O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, pediu nesta 6ª feira (11.set.2026) que o presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, intime todos os juízes citados no inquérito sobre fraudes no Banco Master. Moraes também afirmou que Mendonça foi “seletivo” e não disponibilizou todas as provas para o julgamento de 15 de setembro.
Moraes disse que Mendonça deixou de divulgar 180 documentos por estar “diretamente interessado no julgamento” e pediu que também seja incluído na pauta o pedido de investigação contra o colega por “abuso de autoridade”.
“A seletividade, entretanto, foi ainda maior, pois nesses 15 (quinze) procedimentos contidos ou relacionados à PET 15.556 o sigilo levantado foi parcial, excluindo 180 (cento e oitenta) documentos e, consequentemente, dificultando a análise probatória”, disse o ministro.
Com o ofício, Moraes pediu:
- julgamento conjunto dos casos relacionados à sua citação no caso Master e ao pedido de investigação contra Mendonça;
- imediata retirada do sigilo, sem exceção, dos documentos do caso Master;
- intimação de todos os ministros e juízes citados na investigação.
ENTENDA
Na 4ª feira (9.set.2026), o presidente do STF, Edson Fachin, deu uma resposta conjunta diante das decisões de Mendonça, Moraes e Flávio Dino na crise envolvendo possíveis investigações de ministros do Supremo.
O presidente do STF decidiu:
- marcar para 15 de setembro o julgamento do pedido de investigação contra Alexandre de Moraes;
- suspender a decisão de Mendonça que afastou o diretor-geral da Polícia Federal na 3ª feira (8.set.2026);
- suspender a decisão do ministro Flávio Dino que recolocou Andrei Rodrigues na chefia da PF nesta 4ª feira (9.set.2026);
- retirar de Alexandre de Moraes a relatoria do inquérito das fake news.
“Quando notícias e fatos aventados possam lançar dúvida sobre a higidez de seu funcionamento, é dever e de interesse de todos e de cada um dos membros deste Tribunal esclarecer o que se passou e, no limite, imputar responsabilidades”, declarou.
A crise começou em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal que identificou conversas entre o fundador do Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes. A apuração identificou contratos milionários com o escritório de advocacia da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, e conversas sobre as investigações envolvendo fraudes no banco. Mendonça pediu que Fachin levasse o caso ao plenário.
No mesmo dia, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade do relatório da PF, afirmando que Mendonça teria atropelado as investigações.
Em 3 de setembro, Moraes contra-atacou ao apresentar um pedido para investigar Mendonça por “abuso de autoridade”. Usando o inquérito das fake news, Moraes cita um “relatório de inteligência” contra Mendonça para afirmar que o colega teria direcionado as investigações da PF contra “adversários”.
Na 6ª feira (4.set.2026), Fachin unificou os 2 pedidos em uma petição única, sob a condução da Presidência. Ele também deu prazo para que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestassem esclarecimentos.
Poucos dias depois, na 3ª feira (8.set.2026), Mendonça apontou ilegalidades na produção do relatório de inteligência elaborado pela PF e citado por Moraes. O relator do inquérito do Master afastou cautelarmente o chefe da PF da função. No mesmo dia, a AGU (Advocacia-Geral da União) recorreu da decisão a Fachin.
Na manhã desta 4ª feira (9.set.2026), em articulação com o Palácio do Planalto, o ministro Flávio Dino, relator de inquérito sobre desvio de emendas para o filme Dark Horse, contrariou a decisão de Mendonça e reintegrou o diretor-geral à corporação.
Diante das 3 decisões, Fachin revogou as 2 medidas envolvendo o afastamento de Andrei Rodrigues, mantendo o diretor-geral no cargo. Ele também retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news e decidiu pautar o pedido de Mendonça para investigar Moraes.
O plenário vai analisar, em sessão aberta do STF em 15 de setembro, o pedido de investigação contra Alexandre de Moraes.
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