A distribuidora Europa Filmes decidiu não definir uma data de estreia para Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto não houver clareza sobre o desfecho das investigações que envolvem o financiamento do longa. A decisão foi comunicada pelo diretor-geral da empresa, Wilson Feitosa, em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta 6ª feira (11.set.2026), 1 dia depois de a Polícia Federal realizar uma operação para investigar suspeitas de desvio de emendas ligadas à produção do filme.
A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, cumpriu 49 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.
“O lançamento do filme terá que estar livre de possíveis impedimentos. Não dá para saber o desenrolar de tudo isso, mas não seria responsável fazer o lançamento deste filme com todos estes acontecimentos. Acho que deverá ser lançado quando não tiver mais possível bloqueio na exibição. Temos primeiro que aguardar o desenrolar de tudo isso”, disse Feitosa ao jornal O Globo. “Estamos aguardando, é o prudente.”
Segundo a PF, Mário Frias direcionou R$ 2 milhões em emendas, em 2024, ao ICB (Instituto Conhecer Brasil), organização presidida por Karina Gama. Os valores foram pagos em fevereiro e outubro de 2025. A investigação busca verificar se parte dos recursos foi desviada para empresas relacionadas à produção do longa. Frias nega irregularidades e diz que a operação da PF é uma “cortina de fumaça”.
Há ainda uma 2ª frente de investigação, sob relatoria do ministro André Mendonça, que surgiu como desdobramento do caso Banco Master. Essa frente alcança diretamente o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que participou das tratativas para levantar recursos privados para o filme.
A postura de cautela da Europa Filmes sobre a estreia não é nova. Em julho de 2026, Feitosa havia declarado que não considerava estratégico lançar o filme durante o período eleitoral. Na ocasião, citou como experiência negativa o lançamento de Lula, o Filho do Brasil, que chegou aos cinemas em 2010. O cronograma da cinebiografia de Bolsonaro, porém, ainda não havia sido definido.
Agora, segundo Feitosa, qualquer definição de data depende também do encerramento das investigações e da ausência de obstáculos à exibição. Ao saber da operação na 5ª feira (10.set.), o diretor-geral da Europa Filmes afirmou desconhecer a ação. “Não sabia da operação, mas, se tem coisa errada, tem mais é que esclarecer”, disse.
