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Especialistas veem alívio pontual na inflação de agosto

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

Especialistas avaliam que a deflação de 0,32% do IPCA em agosto traz alívio para o cenário de inflação, mas parte relevante do resultado decorre de fatores pontuais. O principal deles foi o bônus de Itaipu, que reduziu a conta de luz e teve impacto de -0,33 ponto percentual no índice.

O resultado veio melhor que o esperado pelo mercado, que projetava queda de 0,28%. Em 12 meses, a inflação desacelerou de 4,44% para 4,22%, dentro do intervalo de tolerância da meta, de 4,5%. Para os especialistas, o resultado pode aumentar a expectativa de cortes de juros, mas a composição ainda exige cautela, principalmente por causa dos serviços.

O conselheiro da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários), Pablo Spyer, afirmou que o bônus de Itaipu foi responsável por boa parte do alívio registrado em agosto.

“É uma fotografia muito boa de agosto, mas o mercado vai querer saber se esse alívio vai continuar”, disse.

Spyer declarou que os núcleos de inflação desaceleraram, o que considera uma sinalização favorável para o Banco Central. Para ele, o resultado pode reforçar a expectativa de queda dos juros, embora serviços e inflação subjacente ainda estejam no radar.

O economista-chefe da MAG Investimentos, Felipe Rodrigo de Oliveira, também destacou a melhora dos indicadores de inflação subjacente. A média dos núcleos acompanhados pelo mercado recuou de 0,26% em julho para 0,23% em agosto. Os serviços desaceleraram de 0,54% para 0,03%, influenciados pela queda das passagens aéreas.

Oliveira afirmou que os serviços subjacentes tiveram variação de 0,40%, ante 0,42% em julho, mostrando uma desaceleração mais modesta quando são retirados os itens mais voláteis.

O economista da Genial Investimentos, Gabriel Pestana, afirmou que os 5 núcleos acompanhados pelo Banco Central vieram abaixo das projeções. Para ele, os serviços ainda apresentam uma composição pressionada, com as métricas trimestrais anualizadas próximas de 5%.

Segundo Pestana, a leitura não altera de forma relevante o diagnóstico para a inflação corrente, que permanece benigna pelo lado da oferta, enquanto os serviços continuam pressionando a composição do índice.

A economista da SulAmérica Investimentos, Mariana Rodrigues, teve avaliação mais favorável sobre os serviços subjacentes. Segundo ela, esses componentes apresentaram uma dinâmica mais benigna em agosto e contribuíram para a melhora qualitativa do resultado.

JUROS

O economista Roberto Luis Troster, coordenador do Cefeb/Fipe (Centro de Estudos Fipe do Endividamento das Empresas Brasileiras), afirmou que a inflação em 12 meses dentro do intervalo de tolerância da meta pode provocar queda dos juros futuros de prazos mais curtos e aumentar a pressão para que o Copom (Comitê de Política Monetária) continue reduzindo a Selic.

Troster também declarou que parte do alívio é pontual por causa do bônus de Itaipu. Segundo ele, os serviços ainda exercem alguma pressão sobre os preços, embora de forma moderada.

PROJEÇÕES

Pestana disse que o resultado não altera a projeção da Genial para a inflação de 5% em 2026 nem a expectativa de corte de 0,25 p.p. da Selic na próxima reunião do Copom. A casa projeta taxa básica de 13,75% no fim de 2026.

Para os próximos meses, Oliveira citou ainda o risco de petróleo acima de US$ 100. Rodrigues mencionou o El Niño e o preço do petróleo como fatores que podem pressionar a inflação no restante do ano.

Pestana acrescentou que a redução recente de PIS/Cofins sobre gasolina e etanol deve exercer impacto baixista de aproximadamente 0,20 p.p. no IPCA até outubro, segundo estimativa da Genial.

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