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PF vê elo entre R$ 750 mil para “Dark Horse” e empresas pagas com emenda

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

A Polícia Federal identificou uma conexão financeira entre a produtora do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e empresas que receberam recursos do ICB (Instituto Conhecer Brasil) em projetos financiados por emendas parlamentares do deputado federal Mário Frias (PL-SP).

A relação consta de representação da PF reproduzida em decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a operação Make Up, deflagrada nesta 5ª feira (10.set.2026). A ação investiga suspeitas de desvios de recursos de emendas parlamentares e possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”.

Segundo a corporação, a NTT Brasil, de Heric Dias, transferiu R$ 750 mil para a Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme. Frias é produtor-executivo de “Dark Horse”.

A PF relaciona a movimentação aos R$ 700 mil recebidos do ICB pela Dinâmica Editora e pelo Instituto Super Poder Educacional, empresas que, segundo a representação, pertencem ao mesmo grupo empresarial da NTT Brasil.

“No que concerne ao presente caso, como já se destacou em tópico próprio, tais fatos se tornam relevantes na medida em que, no mesmo período, a NTT Brasil de Heric Dias enviou R$ 750.000,00 para a Go Up Entertainment, valor quase que exatamente correspondente aos R$ 700.000,00 que a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, do mesmo grupo empresarial, receberam do ICB”, diz a representação da PF.

Os R$ 700 mil foram pagos no âmbito do Termo de Fomento nº 971232, abastecido com recursos públicos e analisado na investigação. A PF registra ainda que o objeto do termo só teve tentativas de execução em 2026, depois do período das movimentações financeiras sob análise.

A operação Make Up foi autorizada por Dino no inquérito que apura eventuais irregularidades na execução de emendas ao Orçamento. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Frias e Karina Gama, sócia da produtora de “Dark Horse”, estão entre os alvos.

A suspeita investigada é de que recursos de emendas parlamentares possam ter sido usados de forma irregular no financiamento do filme. A PF, no entanto, ainda não demonstra que os R$ 700 mil pagos pelo ICB às empresas do grupo de Heric Dias sejam os mesmos recursos que posteriormente aparecem no repasse de R$ 750 mil da NTT Brasil à Go Up.

A proximidade dos valores, o vínculo empresarial e o período das transferências são tratados pela corporação como elementos relevantes para aprofundar a investigação.

EMENDAS DE FRIAS

O ICB recebeu R$ 2 milhões em recursos federais, integralmente provenientes de 2 emendas apresentadas por Frias. O dinheiro financiou os Termos de Fomento nº 971232 e nº 964068.

A PF investiga suspeitas de desvios por meio de contratações supostamente fraudulentas, documentos falsos e pagamentos de recursos públicos a pessoas e empresas relacionadas ao núcleo investigado.

Na representação, a corporação sustenta haver “fortes indícios de uma única organização criminosa”, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas, na qual Frias figuraria como “agente central”.

A PF afirma ainda que Frias, Karina Gama e outros investigados teriam atuado para ocultar e dissimular a origem, a movimentação e a titularidade de valores provenientes de supostos desvios de recursos públicos federais.

“DARK HORSE”

A Go Up Entertainment tem como sócia Karina Gama, que também preside o ICB e a ANC (Academia Nacional de Cultura).

Segundo a representação, a Go Up movimentou R$ 19 milhões de 10 de novembro a 30 de dezembro de 2025. Entre os principais remetentes estavam a NTT Brasil, com R$ 750 mil, e Frias, com R$ 645,4 mil.

A PF também chama atenção para a coincidência entre o período das movimentações e a produção de “Dark Horse”. O filme foi gravado em São Paulo de 20 de outubro a 7 de dezembro de 2025, enquanto a comunicação financeira analisada abrange o período de 10 de novembro a 30 de dezembro de 2025.

A corporação destaca a “coincidência temporal” entre as gravações e a movimentação financeira, assim como a natureza das despesas da Go Up identificadas no período. Entre os principais destinatários dos recursos da produtora estavam empresas de hotelaria, alimentação e produção. Um dos pagamentos, de R$ 906,7 mil, foi feito ao Hotel Unique São Paulo, estabelecimento de luxo.

Além dos R$ 750 mil enviados pela NTT Brasil, Frias transferiu R$ 645,4 mil para a Go Up. A PF registra que os rendimentos mensais do deputado eram de R$ 44.008,52 e afirma que a movimentação coloca “em questão o lastro financeiro” para sustentar as transferências feitas à empresa de Karina Gama em menos de 60 dias.

Em outro trecho, a corporação diz que os valores enviados por Frias à Go Up são “materialmente incompatíveis” com os rendimentos declarados pelo deputado e com os créditos identificados nas contas bancárias analisadas. Para a PF, isso faria com que Frias ultrapassasse a condição de mero autor das emendas e figurasse como “participante ativo da engrenagem financeira sob investigação”.

ENTENDA O FLUXO INVESTIGADO

  • Emendas de Frias => ICB – o instituto recebeu R$ 2 milhões provenientes de 2 emendas apresentadas pelo deputado.
  • ICB => empresas do grupo – Dinâmica Editora e Instituto Super Poder Educacional receberam R$ 700 mil do ICB no Termo de Fomento nº 971232.
  • NTT Brasil => Go Up – a NTT Brasil, do mesmo grupo empresarial, transferiu R$ 750 mil à produtora de “Dark Horse” no período analisado pela PF.
  • Frias => Go Up – o deputado transferiu outros R$ 645,4 mil diretamente à produtora; a PF questiona o “lastro financeiro” para os repasses diante da renda conhecida do congressista.
  • Go Up => despesas no período das filmagens – a PF identificou pagamentos a hotel de luxo, alimentação e produtoras durante período que coincide parcialmente com as gravações de “Dark Horse”.

DECISÃO DE DINO

  • Operação Make Up – Dino autorizou a operação da PF e da CGU sobre suspeitas envolvendo emendas e o financiamento de “Dark Horse”;
  • Buscas – autorizou 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal;
  • Frias e Karina – o deputado e Karina Gama, sócia da produtora do filme, estão entre os alvos;
  • Investigação no STF – manteve as diligências no inquérito sob sua relatoria sobre possíveis irregularidades na execução de emendas parlamentares;
  • Crimes investigados – a apuração envolve suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

OUTRO LADO

O Poder360 procurou o gabinete de Frias por meio de e-mail para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito da operação. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

O Poder360 tentou entrar em contato com Karina Gama, mas não encontrou um telefone ou e-mail válido para informar sobre o conteúdo desta reportagem. Este jornal digital continuará tentando contato e atualizará o texto caso receba uma manifestação.

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