O líder da Oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), disse nesta 5ª feira (10.set.2026) que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, usou instrumentos do Estado para perseguir adversários políticos. A declaração foi feita depois de a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão contra o deputado Mário Frias (PL-SP), em operação autorizada pelo ministro.
A PF e a CGU (Controladoria-Geral da União) deflagraram nesta 5ª feira a operação Make Up, que investiga suspeitas de irregularidades no uso de emendas. Frias, produtor-executivo do filme Dark Horse, e a produtora Karina Gama estão entre os alvos.
A investigação apura suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. Segundo a PF, haveria uma organização formada por agentes públicos e privados que teria direcionado recursos de forma irregular para empresas subcontratadas.
As apurações sobre o filme são um desdobramento da operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Em maio, foram divulgadas conversas de Vorcaro que mencionavam o financiamento do filme. Em um dos áudios, o candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aparece pedindo dinheiro ao ex-banqueiro para bancar a produção. As mensagens deram origem a pedidos de investigação encaminhados ao STF.
Críticas a Dino
Em nota, o deputado questionou qual teria sido o fato novo que justificou a medida contra Frias. Segundo ele, o Congresso e a sociedade “têm o direito de conhecer essa resposta”.
“Investigação é dever do Estado. Perseguição política jamais poderá ser instrumento de Estado”, afirmou.
Depois que Dino decidiu pela reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da PF, o deputado disse que a decisão deve ser considerada na avaliação da operação e questionou os limites da atuação de Dino.
“Flávio Dino não recebeu da Constituição um poder sem limites. Ministro do Supremo também está submetido à Constituição, à lei e aos mecanismos de responsabilidade previstos pela República”, disse.
Pedido de impeachment
O líder da Oposição também cobrou uma manifestação do Senado sobre o pedido de impeachment de Dino apresentado pela bancada. Segundo ele, a solicitação está protocolada e não deveria ser ignorada diante de decisões do ministro que considera de “enorme impacto institucional”. “O silêncio do Senado deixou de ser prudência. Está se transformando em abdicação”, declarou.
Cabo Gilberto afirmou que, caso existam provas contra Mário Frias, elas devem ser apresentadas e analisadas conforme o devido processo legal. Para ele, porém, o uso de medidas excepcionais contra adversários políticos durante o período eleitoral configuraria abuso de poder. “Mário Frias tem mandato popular. Seus eleitores também merecem respeito”, afirmou.
Ao final da nota, o deputado disse que Dino “deve explicações”, que o Senado deve exercer suas prerrogativas e que o Congresso precisa defender sua independência. “Ninguém está acima da lei. Nem deputado. Nem presidente. Nem ministro do Supremo”, afirmou.
