O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, nesta 4ª feira (9.set.2026), de ato de campanha no Piauí, reduto lulista. O evento foi realizado na Arena Carhoo, em Teresina. Segundo o governador Rafael Fonteles (PT), 50.000 pessoas estiveram presentes –a metodologia de contagem não foi divulgada.
Em seu discurso, Lula evitou mencionar a crise no Supremo Tribunal Federal ou o caso envolvendo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Optou por criticar a oposição, pedir que os Estados Unidos não se envolvam nas eleições e defender pautas como a educação e a luta contra o feminicídio.
A chapa do Partido dos Trabalhadores no Estado é formada por Fonteles, que busca a reeleição, com Washington Bandeira (PT) como vice-governador. Para o Senado, os candidatos de Lula são Júlio César (PSD) e Marcelo Castro (MDB).
Júlio César adotou o apelido “Julim de Lula”. Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado aparece praticando artes marciais, com a frase “a força do Julim do Lula é você” encerrando a peça.
Assista ao vídeo (27s):
No comício, Lula voltou a afirmar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), deve se meter “no país dele, aqui é um problema dos brasileiros”.
“Que não venham os americanos influir nas nossas eleições. A gente sabe o que eles são capazes. E se eles vierem se meter aqui, a gente vai derrotá-los, os americanos e quem mais se meter”, disse.
O chefe do Executivo também criticou os brasileiros que “vão para comício com a bandeira americana”. Em indireta à oposição, Lula disse que eles são “vira-latas, traidores da pátria e que não têm nenhum compromisso com esse país”.
Depois, endossou a candidatura de Júlio César ao Senado e pareceu se referir ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) ao declarar: “Eu não tenho outro candidato ao Senado, a gente não aceita vira-lata do nosso lado”.
Ciro é presidente do Progressistas, que declarou neutralidade nas eleições presidenciais. Foi aventado um pacto de não agressão no Piauí, mas o apoio de Lula a Júlio César explicita que não houve negociação.
Além disso, o presidente disse que “o que está em jogo na eleição é se vai ter democracia ou não, se o povo brasileiro vai ser respeitado ou não”. Segundo ele, “eles [a oposição] são do mal, são mentirosos”.
O petista também tratou de pautas sociais. Disse que, em um possível 4º mandato, tem de resolver “definitivamente o problema da educação neste país” e defendeu os direitos das mulheres.
Lula se emocionou ao falar de sua mãe, dona Lindu. “Eu sei o que é uma mãe ficar na beira do fogão com 8 filhos do lado sem ter o que comer. E ela dizia: ‘hoje não tem, mas amanhã vai ter’. Eu sei o que as mulheres passam. Enquanto eu for vivo, as mulheres podem ter certeza que eu estarei do lado delas”, declarou.
Para evitar um comício formado apenas por homens, o partido convidou a 1ª mulher a governar o Piauí, Regina Sousa, para falar. Ao contrário dos outros discursos, mencionou diretamente a crise no STF e a decisão pelo afastamento de Andrei Rodrigues. Apesar disso, não citou nominalmente o ministro André Mendonça, responsável pela medida.
“Alguém está tentando ganhar a eleição no tapetão. Lá dentro do Supremo tem alguém armando isso. A Polícia Federal tem a maior credibilidade e aí vem alguém e manda demitir o diretor da Polícia Federal e o diretor de Inteligência. O diretor da PF foi o homem que prendeu Vorcaro. O diretor de Inteligência foi o homem que prendeu os mandantes do assassinato de Marielle Franco”, declarou ao lado de Lula.
A primeira-dama Janja da Silva também discursou. Janja, como de praxe, direcionou sua fala às mulheres. O público é considerado chave na campanha: segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o eleitorado feminino corresponde a 52% do total.
Janja também relembrou a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre a pandemia da covid-19. Segundo ela, “milhares de pessoas morreram por negligência da família Bolsonaro durante a pandemia”.
“Por anos, famílias foram destruídas no nosso país. E é por isso que a volta da família Bolsonaro ao governo é tudo o que nós, mulheres, não queremos para nós, para nossas filhas e filhos”, disse.
AS PESQUISAS
O Piauí é, historicamente, um reduto lulista. Em 2022, os piauienses votaram em massa no petista: Lula teve 76,86% dos votos, contra 23,14% de Bolsonaro.
Levantamento da AtlasIntel/MeioNorte, divulgado em 3 de setembro, mostra o atual chefe do Executivo com 68,3% das intenções de voto, contra 24,4% de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no 2º turno.
Para o governo, pesquisa da AtlasIntel/MeioNorte, divulgada em 3 de setembro, mostra que Fonteles venceria ainda no 1º turno, com 62,4% das intenções de voto. O candidato do Progressistas, Joel Rodrigues, aparece em 2º lugar, com 20,9%.
No caso do Senado, o levantamento da AtlasIntel/MeioNorte, divulgado em 3 de setembro, aponta Marcelo Castro na liderança, com 22,4% das intenções de voto. Para a 2ª vaga, Júlio César e o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira, aparecem com 17,2% e 13,3% das intenções de voto, respectivamente. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.
Eis os presentes:
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – presidente da República;
- Janja da Silva – primeira-dama;
- Rafael Fonteles (PT) – governador e candidato à reeleição;
- Washington Bandeira (PT) – candidato a vice-governador;
- Marcelo Castro (MDB) – candidato ao Senado;
- Júlio César (PSD) – candidato ao Senado;
- Wellington Dias – ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome;
- Regina Sousa (PT) – ex-governadora;
- Isabel Fonteles – mulher de Rafael Fonteles.


