A Polícia Federal, em conjunto com a CGU (Controladoria Geral da União), realizou nesta 5ª feira (10.set.2026) a operação Make Up, que investiga a possível atuação de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados para desviar recursos de emendas parlamentares e financiar a produção do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O Supremo Tribunal Federal expediu 49 mandados de busca e apreensão, cumpridos no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Ceará e no Distrito Federal. A operação apura possíveis crimes de peculato e lavagem de dinheiro, entre outras irregularidades.
Entre os alvos está o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que atuou como produtor-executivo de “Dark Horse”. O congressista também é alvo de um inquérito conduzido pelo ministro do STF André Mendonça que apura a origem e a destinação de transferências financeiras realizadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
FRIAS E DARK HORSE
Frias é natural do Rio de Janeiro, tem 54 anos e iniciou a carreira no meio artístico antes de ingressar na política. Ganhou destaque como ator ao integrar o elenco da 6ª temporada da novela Malhação, em 1999.
Frias entrou na política durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em junho de 2020, foi nomeado para comandar a Secretaria Especial da Cultura, cargo que ocupou até 2022. Durante o período, consolidou sua proximidade com o grupo bolsonarista e permaneceu ativo nas redes sociais como apoiador do ex-presidente.
Em 2022, foi eleito deputado federal pelo PL-SP. Durante o mandato, retomou a atuação no setor audiovisual e assinou o roteiro e a produção executiva de “Dark Horse”, filme biográfico sobre parte da trajetória de Bolsonaro.
A captação de recursos para a produção passou a ser alvo de apuração depois da divulgação de áudios e mensagens trocadas entre Frias e Vorcaro. Nos diálogos, o deputado agradece ao ex-banqueiro pelo suporte financeiro concedido ao projeto.
As transferências de Vorcaro relacionadas à produção somariam cerca de R$ 61 milhões. Inicialmente, Frias afirmou que o filme não havia recebido recursos do ex-banqueiro. Depois, mudou a versão e declarou que nem Vorcaro nem o Banco Master eram investidores diretos da obra. Segundo o deputado, havia apenas um vínculo jurídico com a empresa Entre Investimentos.
Na operação Make Up, um dos focos investigados é o repasse de R$ 2 milhões indicado por Frias ao Instituto Conhecer Brasil, além de suspeitas de fraudes em contratos e de falsificação de datas em documentos públicos.
A PF também investiga uma possível engenharia financeira envolvendo o parlamentar, organizações, fornecedores contratados e a empresa responsável pela produção de “Dark Horse”. Segundo as apurações, o esquema teria movimentado R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025.
