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“Dark Horse”: Entenda fluxo financeiro investigado pela PF que mira Frias

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
“Dark Horse”: Entenda fluxo financeiro investigado pela PF que mira Frias

A Polícia Federal investiga um fluxo de recursos que começa em emendas parlamentares do deputado Mario Frias (PL-SP) e alcança empresas relacionadas à Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A apuração envolve suspeitas de desvio e ocultação de recursos públicos e possíveis irregularidades no financiamento do filme. Frias, que é produtor-executivo de “Dark Horse”, está entre os alvos da operação Make Up, deflagrada nesta 5ª feira (10.set.2026).

O caminho identificado pela PF envolve R$ 2 milhões em emendas de Frias destinados ao ICB (Instituto Conhecer Brasil), pagamentos de R$ 700 mil a 2 empresas, uma transferência de R$ 750 mil à Go Up e outros R$ 645,4 mil enviados pelo próprio deputado à produtora.

A relação entre os valores é um dos pontos destacados pela PF. O ICB recebeu R$ 2 milhões provenientes de 2 emendas apresentadas por Frias. Parte dos recursos foi usada no Termo de Fomento nº 971232.

Nesse contrato, Dinâmica Editora e Instituto Super Poder Educacional receberam R$ 700 mil do ICB. Segundo a representação da PF, as empresas pertencem ao mesmo grupo empresarial da NTT Brasil.

No mesmo período analisado, a NTT Brasil transferiu R$ 750 mil à Go Up Entertainment. A PF afirma que o montante é “quase que exatamente correspondente” aos R$ 700 mil recebidos pelas outras empresas do grupo.

FRIAS ENVIOU R$ 645 MIL

A PF identificou ainda outro caminho de recursos para a produtora: Frias transferiu R$ 645,4 mil diretamente à Go Up em menos de 60 dias.

A corporação registra que o deputado tinha rendimentos mensais de R$ 44.008,52 e afirma que as transferências colocam “em questão o lastro financeiro” usado para sustentar os repasses.

Em outro trecho, a PF classifica os valores enviados por Frias à Go Up como “materialmente incompatíveis” com seus rendimentos declarados e com os créditos identificados nas contas bancárias analisadas.

Para os investigadores, as movimentações colocariam Frias como “participante ativo da engrenagem financeira sob investigação”. A PF também afirma haver “fortes indícios de uma única organização criminosa” e classifica o deputado como “agente central”.

ELO COM “DARK HORSE”

A Go Up tem como sócia Karina Gama, que também preside o ICB e a ANC (Academia Nacional de Cultura). Ela também está entre os alvos da operação Make Up.

Segundo a representação, a produtora movimentou R$ 19 milhões de 10 de novembro a 30 de dezembro de 2025. Entre os principais remetentes estavam a NTT Brasil, com R$ 750 mil, e Frias, com R$ 645,4 mil.

A PF também destaca a “coincidência temporal” entre essas movimentações e as filmagens de “Dark Horse”. O longa foi gravado em São Paulo de 20 de outubro a 7 de dezembro de 2025.

No período analisado, a Go Up realizou pagamentos a hotel de alto padrão, empresas de alimentação e produtoras. Para a PF, a natureza das despesas e a coincidência das datas são relevantes para a investigação.

OPERAÇÃO MAKE UP

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a operação Make Up no inquérito que apura eventuais irregularidades na execução de emendas parlamentares.

A PF e a CGU (Controladoria Geral da União) cumpriram 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. São investigadas suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. Frias e Karina estão entre os alvos.

Eis o que foi decidido por Dino:

  • Buscas – autorizou 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal;
  • Frias e Karina – o deputado e Karina Gama, sócia da produtora do filme, estão entre os alvos;
  • Proibição de contato – investigados não podem se comunicar entre si;
  • Saída do país – proibiu Frias e outros investigados de deixar o Brasil e determinou o recolhimento de passaportes;
  • Contratos públicos – proibiu empresas e entidades investigadas de contratar com o poder público.
  • Investigação no STF – manteve as diligências no inquérito sob sua relatoria sobre possíveis irregularidades na execução de emendas parlamentares;
  • Crimes investigados – a apuração envolve suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

ENTENDA O FLUXO INVESTIGADO

  • Emendas de Frias => ICB – o instituto recebeu R$ 2 milhões provenientes de 2 emendas apresentadas pelo deputado.
  • ICB => empresas do grupo – Dinâmica Editora e Instituto Super Poder Educacional receberam R$ 700 mil do ICB no Termo de Fomento nº 971232.
  • NTT Brasil => Go Up – a NTT Brasil, do mesmo grupo empresarial, transferiu R$ 750 mil à produtora de “Dark Horse” no período analisado pela PF.
  • Frias => Go Up – o deputado transferiu outros R$ 645,4 mil diretamente à produtora; a PF questiona o “lastro financeiro” para os repasses diante da renda conhecida do congressista.
  • Go Up => despesas no período das filmagens – a PF identificou pagamentos a hotel de luxo, alimentação e produtoras durante período que coincide parcialmente com as gravações de “Dark Horse”.

OUTRO LADO

O Poder360 procurou o gabinete de Mario Frias por e-mail para perguntar se gostaria de se manifestar sobre a investigação. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada.

O Poder360 tentou entrar em contato com Karina Gama, mas não encontrou telefone ou e-mail válido. Este jornal digital continuará tentando contato e atualizará o texto caso receba uma manifestação.


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