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Lula quebra silêncio sobre Master e pede abertura de todos os sigilos

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Lula quebra silêncio sobre Master e pede abertura de todos os sigilos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu nesta 4ª feira (9.set.2026) a “quebra completa do sigilo” das investigações relacionadas ao caso Banco Master. Foi a 1ª manifestação pública do presidente depois que o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, foi determinado pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), na 3ª feira (8.set).

Lula não citou nomes em sua publicação no X. Disse que o caso do Banco Master representa o “maior crime financeiro da história do Brasil” e afirmou que o país precisa de “explicações e medidas imediatas” diante de uma “crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”.

O presidente também criticou o que chamou de “vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral”. Segundo Lula, é necessário haver “mais transparência” nas investigações. Lula citou a operação Spoofing como exemplo de divulgação de informações de uma investigação.

A operação reuniu mensagens atribuídas ao então juiz Sergio Moro e a procuradores da Lava Jato, que foram usadas pela defesa de Lula para questionar a atuação de Moro e da força-tarefa nos processos contra o petista. Leia mais sobre esta investigação abaixo.

“Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, escreveu o presidente.

A declaração foi 1 dia depois de Mendonça determinar o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do comando da PF. Segundo o ministro, a corporação teria produzido relatórios de inteligência sobre sua atuação no STF e monitorado sua atividade por quase 1 mês. 

A decisão abriu uma nova frente de tensão entre integrantes do STF, a PF e o governo. A AGU (Advocacia Geral da União) apresentou recurso ao presidente do Supremo, Edson Fachin, para suspender o afastamento de Andrei. O órgão afirma que relatórios citados por Mendonça já estavam sob análise de Fachin. 

Na 3ª feira, enquanto o governo discutia como reagir à decisão, Lula convocou uma reunião de emergência com o AGU, Jorge Messias, e o ministro da Justiça, Welligton César Lima. Mais tarde, participou de uma cerimônia no Planalto. O presidente não mencionou o afastamento de Andrei e concentrou seu discurso em políticas ambientais de seu governo. 

A crise envolvendo a direção da PF está ligada à investigação sobre o Banco Master. Em 1º de setembro, Mendonça retirou o sigilo de documentos da investigação que reuniam mensagens e outros registros encontrados no celular de Daniel Vorcaro, fundador do banco. O material ampliou a tensão já que mencionava, entre outros nomes, o ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues. 

Nesta 4ª feira (9.set), o ministro Flávio Dino, do STF, determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da PF, um dia depois de ele ter sido afastado Mendonça. Dino também determinou o retorno do delegado Leandro Almada à diretoria de Inteligência Policial.

O que foi a Operação Spoofing

Deflagrada pela PF em julho de 2019, a operação investigou a invasão de celulares de autoridades, entre elas o então juiz Sergio Moro e integrantes da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. 4 pessoas foram presas na 1ª fase. 

Os arquivos apreendidos reuniam mensagens obtidas pelos hackers em celulares de autoridades. Parte do conteúdo, que envolvia conversas atribuídas a Moro e procuradores da Lava Jato, foi posteriormente divulgada por veículos de imprensa no caso que ficou conhecido como “Vaza Jato”. Moro e integrantes da força-tarefa negaram reconhecer a autenticidade das mensagens. 

Em dezembro de 2019, relatório da PF sobre a operação mostrou que os investigadores avaliavam que os suspeitos tinham intenção de interferir nas investigações da Lava Jato e obter ganhos financeiros. 

Em janeiro de 2021, o então ministro do STF Ricardo Lewandowski autorizou a defesa de Lula a ter acesso ao material apreendido na operação. Em fevereiro, retirou o sigilo das conversas. O conteúdo passou a ser usado pela defesa do petista para questionar a atuação de Moro e dos procuradores nos processos da Lava Jato. 

Entre os diálogos divulgados estavam conversas nas quais procuradores afirmavam que consultariam Moro sobre medidas da Lava Jato e mensagens em que o então juiz fazia pedidos e orientações a integrantes da força-tarefa. O material também incluía conversas sobre a atuação no processo contra Lula. 

Em 2022, Lewandowski autorizou novamente o uso das mensagens pela defesa de Lula, desta vez em recurso contra Deltan Dallagnol no STJ. O caso discutia a indenização imposta ao ex-procurador pela apresentação de PowerPoint em que Lula foi apontado como figura central de um esquema de corrupção.