O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, tomou nesta 4ª feira (9.set.2026) uma série de decisões para reorganizar a condução dos processos que estão no centro da crise entre integrantes da Corte.
Em poucas horas, Fachin retirou Alexandre de Moraes do comando do inquérito das fake news, suspendeu as decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino sobre o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e pautou para 3ª feira (15.set.2026) o julgamento do pedido para autorizar uma investigação do ministro Alexandre de Moraes.
As medidas concentram na Presidência do STF a condução imediata de parte dos processos que alimentaram a crise na Corte nos últimos dias.
Eis as 3 decisões:
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TIRA MORAES DO INQUÉRITO DAS FAKE NEWS
Fachin revogou a designação de Moraes para conduzir o chamado inquérito das fake news, aberto em março de 2019.
Moraes havia sido escolhido pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, para conduzir o Inquérito 4.781. Com a decisão de Fachin, os inquéritos, petições e outros procedimentos de investigação preliminar ainda em andamento e distribuídos por prevenção ao caso passam para a Presidência do Supremo.
A mudança não retira de Moraes todos os processos derivados do inquérito. As ações penais já instauradas e que tiveram denúncia recebida continuam sob responsabilidade do ministro.
Fachin também preservou os atos praticados enquanto Moraes esteve responsável pelo inquérito. Portanto, a revogação da designação não invalida automaticamente as decisões anteriores.
A medida concretiza uma posição que Fachin já havia tornado pública. Em 4 de setembro, o presidente do STF afirmou que a crise na Corte tornava “urgente” o fim do inquérito das fake news.
Leia:
- Fachin tira Moraes do comando do inquérito das fake news;
- íntegra da Portaria 189, de 9 de setembro de 2026.
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MANTÉM ANDREI
Mendonça havia determinado na 3ª feira (8.set.) o afastamento preventivo de Andrei e do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa.
Na manhã desta 4ª feira (9.set.), Dino determinou a reintegração dos 2 aos cargos, criando uma situação em que ministros do Supremo davam comandos opostos sobre a direção da PF.
Fachin suspendeu a decisão de Mendonça que afastava Andrei e reiterou a suspensão da ordem de Dino que determinava sua reintegração. Na prática, Andrei permanece como diretor-geral da PF porque a ordem que determinava seu afastamento deixou de produzir efeitos.
O presidente do Supremo afirmou que a sucessão de decisões criou um “inconciliável conflito de posições judiciais”. Também classificou como “grave” o cenário em que decisões de ministros passam a ser “desafiadas horizontalmente”.
Fachin afirmou ainda que o tema está sendo analisado pela Presidência do STF, sendo “a Presidência – e apenas ela – a autoridade competente para tanto”.
A permanência de Andrei, porém, ainda não está definida de forma definitiva. Fachin deu 48 horas para que o diretor-geral da PF preste informações. Depois desse prazo, a Presidência analisará se ele continuará no cargo.
Leia:
- Fachin suspende decisões de Dino e Mendonça e mantém Andrei na PF;
- Leia a íntegra da decisão de Fachin que suspendeu afastamento de Andrei;
- Fachin diz ser “grave” que Dino e Mendonça desafiem decisões entre si.
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LEVA CASO AO PLENÁRIO
Fachin também marcou para 3ª feira (15.set), às 10h, o julgamento em que o plenário do STF decidirá se autoriza a Polícia Federal a investigar o ministro Alexandre de Moraes. O caso tem como base mensagens encontradas no celular do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e estava sob relatoria de André Mendonça.
Ao marcar a sessão extraordinária, Fachin afirmou que a Presidência tem o dever de preservar a integridade da Corte e de esclarecer os fatos que possam lançar dúvidas sobre seu funcionamento. Segundo o ministro, caberá ao plenário decidir se a apuração contra Moraes será autorizada.
ENTENDA
O presidente do tribunal, Luiz Edson Fachin, deu uma resposta conjunta diante das decisões de Mendonça, Moraes e Flávio Dino na crise envolvendo possível investigação de ministros do Supremo. Por um lado, Mendonça pediu uma investigação do ministro Alexandre de Moraes por possível envolvimento com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O relator do caso pediu uma sessão pública do plenário para avaliar o caso no dia 1 de setembro.
No dia 3 de setembro, Moraes apresentou um pedido para investigar Mendonça por “abuso de autoridade”. Sendo relator do inquérito das fake news, Moraes cita um “relatório de inteligência” contra Mendonça para afirmar que o colega teria direcionado as investigações da PF contra “adversários“.
Na 6ª feira (4.set.2026), Fachin unificou os 2 pedidos em uma petição única, sob a condução da presidência. Ele ainda havia dado um prazo para que Mendonça; Moraes; o procurador-geral da República, Paulo Gonet; e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestassem esclarecimentos.
Pouco dias depois, na 3ª feira (8.set.2026), Mendonça vê ilegalidades na produção do relatório de inteligência feito pela PF e mencionado por Moraes. O relator do inquérito do Master afastou cautelarmente o chefe da PF da função. No mesmo dia, a AGU (Advocacia Geral da União) recorreu da decisão para Fachin.
Na manhã desta 4ª feira (9.set.2026), em articulação com o Palácio do Planalto, o ministro Flávio Dino, que é relator de inquérito sobre desvio de emendas para o filme Dark Horse, afronta a decisão de Mendonça e reintegra o diretor-geral na corporação.
