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Dino citou encontro de Mendonça e Vorcaro ao decidir pela volta de Andrei

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, citou o encontro entre André Mendonça e Daniel Vorcaro ao determinar a volta de Andrei Rodrigues à direção-geral da Polícia Federal nesta 4ª feira (9.set.2026). O episódio foi apontado como um agravante na decisão de Mendonça de afastar a cúpula da PF. Eis a íntegra da decisão (PDF – 254 kb).

“Mais grave se torna essa interferência na esfera de competências de outros ministros e do próprio Plenário do STF quando, recentemente, veio a lume a informação de que o ministro André Mendonça teria recebido, para reunião nas dependências de uma empresa privada, o sr. Daniel Vorcaro, investigado em autos de sua própria competência. Segundo noticiado, essa reunião teria ocorrido, inclusive, por intermediação de outros agentes que figuram em investigações em curso no Poder Judiciário”, escreveu Dino.

O encontro foi revelado pelo portal ICL. Mensagens mostram o advogado Ciro Rochas Soares dizendo a Vorcaro que havia levado Mendonça a um alfaiate. “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”, disse, em áudio.

O gabinete de André Mendonça afirmou que o ministro recebeu Vorcaro uma única vez, em 14 de março de 2025, por iniciativa do empresário, e que apenas o ouviu. Segundo a nota, a conversa tratou de uma ação no STF sobre créditos de precatórios de interesse do Banco Master, que estava com pedido de vista de outro ministro.

Mendonça assumiu a relatoria do caso Master na Corte em fevereiro de 2026 e afirmou que sua atuação no processo foi contrária aos interesses de Vorcaro.

“O ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo. No mesmo mês, atendeu também o advogado do empresário, e ainda mantém, nos registros do gabinete, os memoriais escritos recebidos por ocasião do encontro”, escreveu o gabinete.

ENTENDA 

O presidente do tribunal, Luiz Edson Fachin, deu uma resposta conjunta diante das decisões de Mendonça, Moraes e Flávio Dino na crise envolvendo possível investigação de ministros do Supremo. Por um lado, Mendonça pediu uma investigação do ministro Alexandre de Moraes por possível envolvimento com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O relator do caso pediu uma sessão pública do plenário para avaliar o caso no dia 1º de setembro. 

No dia 3 de setembro, Moraes apresentou um pedido para investigar Mendonça por “abuso de autoridade”. Sendo relator do inquérito das fake news, Moraes cita um “relatório de inteligência” contra Mendonça para afirmar que o colega teria direcionado as investigações da PF contra “adversários“. 

Na 6ª feira (4.set), Fachin unificou os 2 pedidos em uma petição única, sob a condução da presidência. Ele ainda havia dado um prazo para que Mendonça; Moraes; o procurador-geral da República, Paulo Gonet; e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestassem esclarecimentos. 

Poucos dias depois, na 3ª feira (8.set), Mendonça vê ilegalidades na produção do relatório de inteligência feito pela PF e mencionado por Moraes. O relator do inquérito do Master afastou cautelarmente o chefe da PF da função. No mesmo dia, a AGU (Advocacia Geral da União) recorreu da decisão para Fachin. 

Na manhã desta 4ª feira (9.set), em articulação com o Palácio do Planalto, o ministro Flávio Dino, que é relator de inquérito sobre desvio de emendas para o filme “Dark Horse”, afronta a decisão de Mendonça e reintegra o diretor-geral à corporação. 

Agora, com 3 decisões diversas, Fachin revoga as 2 decisões envolvendo o afastamento de Andrei Rodrigues (na prática, mantendo o chefe da PF no cargo). Ele também retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e resolveu pautar o pedido de Mendonça para investigar Moraes. 

O plenário vai julgar se abre um flanco de investigação contra Alexandre de Moraes no dia 15 de setembro, em sessão aberta do STF.

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