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Lula é cobrado a recorrer contra afastamento de Andrei no STF

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo, defendeu nesta 3ª feira (8.set.2026) que o governo recorra ao plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) contra a decisão do ministro André Mendonça que afastou Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal.

Carvalho afirmou que o Brasil atravessa uma “crise institucional sem precedentes na história do país”. Para ele, órgãos e Poderes estariam assumindo prerrogativas que não lhes foram atribuídas pela Constituição.

A decisão de Mendonça foi tomada individualmente, como relator do caso no STF. Ao defender que o governo recorra ao plenário, Carvalho propõe que a medida seja submetida à análise dos demais ministros da Corte. O colegiado poderá manter, revogar ou modificar o afastamento de Andrei Rodrigues, dando uma resposta institucional à decisão individual de Mendonça.

O coordenador da campanha também defendeu que Lula convoque o Conselho da República, órgão de consulta da Presidência previsto no artigo 89 da Constituição.

Para ele, há jogo eleitoral: “Eleições, em toda e qualquer democracia, devem ser disputadas no voto”, declarou Carvalho. Segundo o advogado, não se pode permitir que funções públicas sejam “capturadas por interesses políticos e eleitorais”.

Marco Aurélio é coordenador da campanha de Lula e também atua no grupo Prerrogativas, que reúne advogados e operadores do direito que se posicionaram criticamente à Lava Jato. No 3º mandato de Lula, o grupo esteve mais próximo da gestão petista e mantém interlocução direta com o presidente.

Recurso ao STF

Carvalho disse que o governo deveria recorrer ao plenário da Corte “antes inclusive de cumprir a decisão”, devido à gravidade da medida.

Mendonça determinou nesta 3ª feira (8.set) o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e do diretor de inteligência da PF, Leandro Almada da Costa. A decisão também determinou a abertura de investigação pela Corregedoria da corporação.

O ministro afirma que os afastamentos são necessários para evitar interferências nas apurações sobre a produção de relatórios de inteligência relacionados à atuação de integrantes do STF, da AGU e da própria PF.

A decisão será analisada pela 2ª Turma do STF em sessão virtual extraordinária convocada nesta 3ª feira.

Reunião com Fachin

O presidente Lula já havia se reunido, na 3ª feira (1º.set.2026), com os ministros do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin e Gilmar Mendes. O encontro, realizado no Palácio do Planalto, foi realizado no início da crise envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Naquele dia, Mendonça havia retirado o sigilo de documentos da investigação sobre o Banco Master, que reuniam mensagens e outros registros encontrados no celular de Daniel Vorcaro, fundador da instituição. O material mostrava a relação de Vorcaro com Moraes e mencionava também o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A divulgação dos documentos ampliou a tensão dentro do Supremo. Em 3 de setembro, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado no inquérito das fake news por suposto abuso de autoridade. O ministro afirmou que o colega teria direcionado investigações contra integrantes da Corte ao conduzir processos relacionados às operações Sem Desconto e Compliance Zero.

Moraes baseou o pedido em relatórios de inteligência da PF que questionavam a atuação de Mendonça nas investigações. Os documentos, porém, foram classificados pela própria Polícia Federal como materiais de trabalho sem valor probatório.

Após o pedido de afastamento de Andrei Rodrigues, Carvalho também defendeu que Lula se reúna “com urgência” com Fachin. “É a própria democracia que está em jogo”, afirmou.

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