Em uma entrevista concedida à CNN neste sábado (5.set.2026), o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, expressou arrependimento por ter endossado no passado a indicação de Alexandre de Moraes à Corte. Afirmou que “estaria morto” se o remorso tivesse esse poder.
A manifestação ocorreu após a divulgação de conversas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do extinto Banco Master. Marco Aurélio declarou que as denúncias recentes são extremamente graves.
Ele lembrou que, após o acidente aéreo que vitimou o ministro Teori Zavascki, recomendou ao então presidente Michel Temer (MDB) o nome de Moraes por considerar seu currículo adequado —ressaltando sua trajetória como acadêmico, integrante do Ministério Público, secretário municipal e estadual, além de ministro da Justiça.
“Os fatos que vieram à balha são seríssimos. Quando caiu o avião e morreu o ministro Teori Zavascki, […] eu disse que o presidente Temer tinha um homem talhado para o cargo. […] Se arrependimento matasse eu não estaria aqui hoje conversando com vocês”, afirmou.
Marco Aurélio avaliou que o ex-colega tem cometido excessos prejudiciais e lamentou o apoio concedido na época. Os registros de diálogos de Vorcaro com Moraes integram um parecer da Polícia Federal cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça.
Moraes afirma que Mendonça cometeu abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Em contrapartida, Marco Aurélio defendeu a atitude de Mendonça, sustentando que ele agiu de forma correta e criticou o cenário atual do Tribunal por considerar que há uma inversão de valores.
ENTENDA O CASO
Relatório de 218 páginas, produzido pela PF a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, reúne mensagens entre o fundador do Banco Master e o ministro Alexandre de Moraes.
O aparelho foi apreendido durante a operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). Vorcaro foi preso na 1ª fase da operação, em 18 de novembro de 2025.
O relatório foi elaborado a pedido do ministro André Mendonça, do STF, para identificar integrantes de uma possível rede de influência e monitoramento atribuída a Vorcaro. A PF entregou o documento em 27 de agosto de 2026.
Leia a íntegra do relatório da PF sobre o celular de Daniel Vorcaro (PDF – 5 MB).
Parte das mensagens analisadas foi enviada pelo recurso de visualização única do WhatsApp. Por isso, em diversos diálogos reproduzidos no relatório, é possível identificar mensagens enviadas por Vorcaro, mas não conhecer o conteúdo das respostas do interlocutor. No caso das conversas com o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, isso impede reconstruir integralmente parte dos diálogos.
A própria PF afirma que a análise “não possui caráter exaustivo”, porque foi realizada no prazo de 72 horas determinado para atender à requisição judicial. Segundo a corporação, podem existir outras citações ou referências indiretas ainda não identificadas pela equipe policial.
O conteúdo veio a público na 3ª feira (1º.set.2026), depois que Mendonça derrubou o sigilo da ação. Leia aqui todos os documentos.
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