O Poder360, em parceria com o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), lança neste sábado (5.set.2026) o 178º episódio do programa Infra em 1 Minuto. O especialista em petróleo e gás Pedro Rodrigues, sócio do CBIE, analisa a aprovação do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter) pelo Congresso.
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Assista ao vídeo (1min24s):
No episódio, Rodrigues comemora a aprovação do regime, que reduz a carga tributária sobre equipamentos utilizados na instalação e na ampliação de data centers. Afirma, no entanto, que a necessidade de criar uma exceção fiscal demonstra a dificuldade do Brasil para atrair investimentos pelas regras normais.
“O Redata é uma boa notícia. Mas a exceção que a gente comemora é a confissão de que a regra não funciona”, declarou.
APROVAÇÃO DO REDATA
A criação do Redata foi inicialmente proposta pelo governo na MP (Medida Provisória) 1.318 de 2025. A medida perdeu a validade em fevereiro de 2026 sem ser votada pelo Congresso.
Para preservar o programa, a Câmara aprovou em fevereiro o PL 278 de 2026, que reproduziu o conteúdo do regime. A proposta ficou parada por cerca de 6 meses no Senado, até ser aprovada na 3ª feira (1º.set.2026).
Dois dias depois, Câmara e Senado também aprovaram o PLP 74 de 2026, que enquadra o benefício entre as exceções permitidas pelas regras fiscais de 2026. Os 2 projetos seguem para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O Redata suspende o pagamento do Imposto de Importação, do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), do PIS/Pasep e da Cofins na compra, dentro ou fora do país, de equipamentos e componentes de tecnologia destinados aos data centers. O regime terá vigência de 5 anos.
A renúncia fiscal estimada pelo governo é de R$ 5,2 bilhões em 2026, de R$ 1 bilhão em 2027 e de R$ 1,05 bilhão em 2028. Segundo Rodrigues, a medida reduz uma das principais barreiras para a instalação e a ampliação dessas infraestruturas no Brasil.
FONTES DE BAIXA EMISSÃO
Rodrigues também elogiou a mudança feita pelo Senado nas exigências relacionadas ao fornecimento de energia. O texto aprovado pela Câmara determinava que 100% da demanda elétrica dos data centers fosse atendida por fontes “limpas ou renováveis”.
Os senadores substituíram a expressão por fontes “renováveis ou de baixa emissão”. Para o especialista, a alteração amplia as opções disponíveis para garantir o fornecimento contínuo de eletricidade exigido por essas instalações.
“Parece ajuste de redação, mas não é. Essa mudança abre a porta para gás natural, hidrelétrica, biogás e nuclear”, afirmou.
A definição das fontes consideradas de baixa emissão ainda dependerá de regulamentação do governo. Uma emenda que incluía expressamente o gás natural e o biometano foi rejeitada. Com isso, a eventual utilização do gás dependerá dos critérios estabelecidos pelo Executivo.
“Data center não pisca. Precisa de energia firme, 24 por 7. E uma reserva de mercado energética era o pior jeito de começar essa indústria”, declarou Rodrigues.
Segundo ele, a mudança permite combinar a expansão dos data centers com fontes capazes de fornecer energia de forma contínua, sem restringir o suprimento a determinadas tecnologias.
“A aprovação merece ser comemorada: o projeto saiu do Congresso melhor do que entrou”, afirmou.
REGRA E EXCEÇÃO
Apesar da avaliação positiva, Rodrigues afirma que o Redata evidencia uma deficiência estrutural do ambiente de negócios brasileiro. Na avaliação dele, o mercado só consegue competir internacionalmente quando o Congresso aprova uma lei específica para afastar obstáculos tributários e regulatórios.
O especialista comparou o modelo brasileiro ao dos Estados Unidos. Segundo ele, o mercado norte-americano costuma atrair investimentos e inovação antes da criação de regras específicas. A regulação surge posteriormente, diante de problemas concretos, como aumento da conta de luz, pressão sobre a rede elétrica ou consumo elevado de água.
No Brasil, afirma Rodrigues, a legislação precisa primeiro retirar barreiras impostas pelo próprio Estado para que os projetos se tornem economicamente viáveis.
“Aqui, a lei serve para tirar o Estado da frente do empreendedor”, declarou.
Para o especialista, a aprovação do Redata melhora a posição do Brasil na disputa internacional por data centers, mas não resolve os problemas enfrentados pelos investimentos que continuam submetidos às regras gerais.
Leia os posts sobre os outros episódios do programa Infra em 1 Minuto:
- 177º episódio: Imposto sobre exportação do petróleo afasta capital
- 176º episódio: O protagonismo de Brasil e a Margem Equatorial
- 175º episódio: Falta de concorrência encarece gás no Brasil;
- 174º episódio: Consumidor não escolhe a mistura do etanol na gasolina;
- 173º episódio: Corrida da IA é disputa de capacidade de geração de energia;
- 172º episódio: Petróleo perto de US$ 100 pressiona governo dos EUA;
- 171º episódio: Gargalo de energia ameaça expansão de data centers no Brasil;
- 170º episódio: Expansão de renováveis eleva custos de transmissão;
- 169º episódio: “Energia mais barata” agrega custos ocultos na conta de luz;
- 168º episódio: Vaivém no estreito de Ormuz afeta mercado de petróleo;
- 167º episódio: Baterias precisam de mercado, não de subsídio;
- 166º episódio: Corte da ONS de domingo revela problema no SIN;
- 165º episódio: IA exige energia firme para atrair data centers;
- 164º episódio: O mundo eletrifica por preço, o Brasil por subsídio;
- 163º episódio: Data centers exigem expansão da geração de energia;
- 162º episódio: Papel das térmicas na segurança do sistema elétrico;
- 161º episódio: saída dos Emirados Árabes da OPEP+;
- 160º episódio: Aumento da mistura de etanol na gasolina;
- 159º episódio: O mercado de terras raras;
- 158º episódio: Políticas Energéticas em Alta;
- 157º episódio: Crise em Ormuz cria janela de oportunidade para o etanol;
- 156º episódio: Subsídio ao diesel expõe riscos no setor;
- 155º episódio: CeraWeek expõe riscos globais no mercado de energia;
- 154º episódio: Análise do reajuste do diesel no Brasil em 2026;
- 153º episódio: Análise do mercado global de petróleo em 2026;
- 152º episódio: Riscos do estreito de Ormuz;
- 151º episódio: Câmara aprova Redata para data centers;
- 150º episódio: Setor elétrico inicia 2026 sob agenda regulatória;
- 149º episódio: Programa Gás do Povo;
- 148º episódio: Potencial do Brasil em minérios críticos;
- 147º episódio: Crise do petróleo na Venezuela;
- 146º episódio: Análise do setor de energia brasileiro em 2025;
- 145º episódio: Análise do Plano de Negócios 26-30 da Petrobras;
- 143º episódio: Epidemia das MPs;
- 142º episódio: Aprovação da MP do setor elétrico;
- 141º episódio: Eletrobras entra no mercado de criptomineração;
- 140º episódio: Novo programa de botijão de gás traz desafios;
- 139º episódio: Operação Carbono Oculto no mercado de combustíveis;
- 138º episódio: Importância da classificação de gasodutos;
- 137º episódio: Nova descoberta no Pré-Sal;
- 136º episódio: Os riscos e impactos da MP dos data centers;
- 135º episódio: Lei das Eólicas Offshore e a crescente CDE;
- 134º episódio: Mudanças a caminho do setor elétrico;
- 133º episódio: Cresce a presença dos biocombustíveis no mercado doméstico;
- 132º episódio: Guerra no Oriente Médio e o Estreito de Ormuz;
- 131º episódio: Balanço Energético Nacional 2025;
- 130º episódio: Reforma do setor elétrico;
- 129º episódio: Transição na China;
- 128º episódio: Lições do Apagão da Europa;
- 127º episódio: Retorno da energia nuclear;
- 126º episódio: IA pressiona e revoluciona o setor de energia;
- 125º episódio: O cancelamento do Leilão de Reserva de Capacidade 2025;
- 124º episódio: Pedidos de renovação das concessões de distribuição;
- 123º episódio: O avanço do mercado livre de energia;
- 122º episódio: Os resultados de 2024 e as tendências do setor de energia;
- 121º episódio: Corte no biodiesel mira preço, mas falha na fiscalização;
- 120º episódio: Resultados financeiros da Petrobras em 2024;
- 119º episódio: Presença do biodiesel no diesel inalterada;
- 118º episódio: Auxílio Gás deixa brechas sobre uso do recurso;
- 117º episódio: Uma nova ameaça no radar do ONS;
- 116º episódio: O reajuste do preço do diesel;
- 115º episódio: Sanção do programa de aceleração da transição energética;
- 114º episódio: Trump 2.0 e as medidas para o setor de energia;
- 113º episódio: O que esperar da defasagem dos combustíveis em 2025;
- 112º episódio: Retrospectiva do setor de energia em 2024;
- 111º episódio: A demanda por petróleo em 2025;
- 110º episódio: A oferta de petróleo em 2025;
- 109º episódio: O novo plano estratégico da Petrobras;
- 108º episódio: Petrobras tem lucro de R$ 32,6 bi no 3º trimestre;
- 107º episódio: Aneel reduz bandeira tarifária de energia após chuvas;
- 106º episódio: O Combustível do Futuro;
- 105º episódio: Data centers, os novos gigantes do consumo de energia;
- 104º episódio: Projeções da Opep+ para o setor de óleo e gás;
- 103º episódio: Conta de luz com bandeira vermelha em setembro;
- 102º episódio: O segmento de transmissão de energia não pode ficar esquecido;
- 101º episódio: Conta de luz ficará mais barata a partir de setembro;
- 100º episódio: Petrobras tem prejuízo de R$ 2,6 bi no 2º trimestre de 2024;
- 99º episódio: As eleições na Venezuela e o petróleo do país;
- 98º episódio: A decisão da ANP sobre o gasoduto Subida da Serra;
- 97º episódio: Perdas no sistema de distribuição de energia em 2023;
- 96º episódio: Compra direta de gás natural da Bolívia;
- 95º episódio: “Imposto do pecado” no setor de óleo e gás;
- 94º episódio: Conta de luz mais cara em julho;
- 93º episódio: Regras para a renovação de concessões de energia;
- 92º episódio: Senado aprova marco legal do hidrogênio verde;
- 91º episódio: Política de preços da Petrobras segue nebulosa 1 ano após adoção;
- 90º episódio: Caso Light reflete os problemas de distribuição de energia no Brasil;
- 89º episódio: Decisão do Cade sobre Petrobras cria insegurança;
- 88º episódio: A expansão dos data centers no Brasil;
- 87º episódio: A demissão de Prates e o futuro da Petrobras;
- 86º episódio: Petroleiras independentes dominam produção onshore pela 1ª vez;
- 85º episódio: Os resultados da produção de petróleo em 2023;
- 84º episódio: MP que reduz tarifas de energia tem fraquezas de longo prazo;
- 83º episódio: Envolvimento do Irã em Gaza pode afetar cadeias globais de energia;
- 82º episódio: Preços dos combustíveis seguem defasados apesar de alta internacional;
- 81º episódio: Governo estimula descarbonização da indústria automotiva;
- 80º episódio: Câmara aprova o PL Combustível do Futuro;
- 79º episódio: Aneel reduz valores de bandeiras tarifárias para 2024;
- 78º episódio: Mudança na política de dividendos da Petrobras;
- 77º episódio: Chuvas evidenciaram crise na distribuição de energia;
- 76º episódio: Cade deve liberar Petrobras de compromissos dos TCCs;
- 75º episódio: O impasse para definir a tarifa de Itaipu para 2024;
- 74º episódio: Governo seguirá com renovação das concessões de energia;
- 73º episódio: Guerras na Ucrânia e em Israel afetam mercado de óleo e gás;
- 72º episódio: A volta dos investimentos na Refinaria Abreu e Lima;
- 71º episódio: Guiana e Venezuela disputam região rica em petróleo;
- 70º episódio: Destaques do setor de biocombustíveis em 2023;
- 69º episódio: Temas que marcaram o setor elétrico em 2023;
- 68º episódio: A indústria de óleo e gás no 3º mandato de Lula;
- 67º episódio: Impactos do El Niño no setor elétrico.
- 66º episódio: Deputado apresenta projeto para acelerar transição energética;
- 65º episódio: Apagão em São Paulo;
- 64º episódio: EUA suspendem sanções ao petróleo da Venezuela;
- 63º episódio: Exxon Mobil e Chevron investem mais de US$ 100 bi em fontes fósseis;
- 62º episódio: A seca no Norte e seus impactos no setor elétrico;
- 61º episódio: Produção de hidrogênio a partir de etanol no Brasil;
- 60º episódio: Rússia suspende exportação de derivados do petróleo;
- 59º episódio: PL do Combustível do Futuro é enviado ao Congresso;
- 58º episódio: O peso da volta de PIS/Cofins sobre o diesel;
- 57º episódio: Novo PAC pode ajudar a modernizar o setor de energia;
- 56º episódio: Apagão nacional mostrou vulnerabilidades do SIN.
- 55º episódio: O 1º Investor day da Eletrobras após a capitalização;
- 54º episódio: Reaquecimento dos mercados coloca à prova estratégia da Petrobras;
- 53º episódio: Redução do preço do gás natural a distribuidoras chega a 25% em 2023;
- 52º episódio: Impactos da reforma tributária no setor de energia;
- 51º episódio: 1º leilão de transmissão de 2023;
- 50º episódio: Aliança Estratégica Brasil-Argentina;
- 49º episódio: Gás natural causa divergências entre Petrobras e Minas e Energia;


